A Shein fez finalmente a sua estreia na bolsa de Hong Kong, mas as ações caíram 10% no primeiro dia de negociação, antes de recuperarem grande parte das perdas. A operação avaliou a empresa em cerca de 26 mil milhões de dólares, um valor muito distante dos 100 mil milhões de dólares por que era avaliada em 2022, quando se tornou uma das startups privadas mais valiosas do mundo. A empresa conseguiu captar cerca de 1,7 mil milhões de dólares na oferta pública inicial.
O fundador Chris Xu viu a sua fortuna cair de mais de 23 mil milhões de dólares para cerca de 8 mil milhões de dólares, com base na participação de 30% que mantém na empresa. Esta redução de mais de 15 mil milhões de dólares aconteceu num período de apenas quatro anos, num momento em que a Shein enfrenta uma combinação de tarifas elevadas, maior escrutínio político e regulatório e concorrência crescente.
A estreia em bolsa acontece num momento particularmente difícil para o modelo de negócio da Shein. Na União Europeia entrou em vigor uma nova taxa de 3 euros por encomenda de baixo valor, enquanto nos Estados Unidos alterações semelhantes já tinham aumentado os custos de distribuição. No primeiro trimestre, os custos de logística e distribuição subiram de 43% para 48% das receitas, enquanto as receitas cresceram apenas 1% em termos homólogos. A margem líquida ajustada ficou nos 2,5%.
A empresa tenta agora diversificar as suas fontes de receita, incluindo serviços de comércio eletrónico para outras marcas, que cresceu 9% no primeiro trimestre mas representa apenas 14% das receitas totais. Após tentativas falhadas de cotação nos Estados Unidos e no Reino Unido, a escolha de Hong Kong aconteceu num contexto de aproximação às autoridades chinesas, com um compromisso de investir cerca de 1,5 mil milhões de dólares na China.




