Portugal possui as maiores reservas de lítio da Europa e a concessão do projeto lítio do Barroso, que corresponde ao maior depósito europeu de espodumena, mas a exploração está condicionada por obstáculos que o artigo considera urgente esclarecer. O país tem uma longa história minerária, com a exploração do estanho, ouro e tungstênio, e possui uma gestão minerária sofisticada, sendo as minas de Neves Corvo e Aljustrel reconhecidas como referência de boas práticas na Europa.
O setor extrativo representa apenas 0,5% do PIB e 0,4% do VAB, e não se abre uma nova mina há mais de 30 anos. O artigo explica que isso se deve à discrepância entre o ciclo de exploração minerária, que demora em média 7 anos, e as legislaturas políticas, que duram apenas 2 a 3 anos, levando os governos a evitarem o ônus de abrir concessões minerárias. Concurso após concurso acaba por ser suspenso ou adiado.
O lítio é uma matéria-prima crítica para a revolução tecnológica e para os objetivos de neutralidade carbônica da UE. A China controla o mercado mundial do lítio, e a UE definiu como meta extrair 10% das suas matérias-primas até 2030. O projeto do Barroso contribuirá com 50% dessa meta, sendo considerado estratégico, com capacidade para fornecer lítio para 7 milhões de baterias de carros elétricos na primeira fase e um investimento inicial de 400 milhões de dólares.
O projeto foi submetido a exigências ambientais e legais severas, incluindo requisitos transfronteiriços com a Espanha e obrigações de conectividade rodoviária. Boticas é um dos municípios mais desertificados do país, tendo perdido 60% da população nas últimas décadas. A área da concessão não tem explorações agrícolas, pecuária nem habitações. Em 8 ações legais intentadas contra o projeto, todas foram favoráveis à empresa.




