Em julho, Portugal registou uma quebra de 3,1% nas dormidas de turistas norte-americanos e de 5,9% nas de turistas franceses, duas tendências distintas que convergem na Grande Lisboa, região que concentra a maior parte da pressão. O mercado dos Estados Unidos, embora ainda tenha crescido 3,4% no acumulado até julho, mostra um abrandamento face aos ritmos elevados dos últimos anos, enquanto o mercado francês prolonga uma trajetória descendente que já se verifica há vários anos, com uma quebra acumulada de cerca de 8% no mesmo período.
A capacidade aérea surge como o principal constrangimento identificado pelo setor. Cristina Siza Vieira, CEO da Associação da Hotelaria de Portugal, resume a situação dizendo que os turistas vão onde há capacidade aérea. A Grande Lisboa começa a sentir limitações de capacidade aeroportuária, enquanto o Norte do país continua a crescer no mercado norte-americano. A capacidade aérea entre França e Portugal diminuiu 6,6% no verão de 2026, ao mesmo tempo que aumentou para Espanha e Grécia.
Associações como a AHP, AHRESP, ANAV e a Confederção do Turismo de Portugal consideram, para já, prematuro falar de uma inversão estrutural no mercado americano, embora reconheçam sinais de desaceleração. No caso francês, a leitura é mais pessimista, com a AHP a apontar para a sensibilidade ao preço deste mercado, num contexto de menor poder de compra das famílias francesas, preços mais elevados em Portugal e maior concorrência de destinos como Espanha, Norte de África e Egito.
A pressão na Grande Lisboa é agravada pelo facto de os dois mercados representarem, em conjunto, 17% das dormidas de não residentes em 2025. Cristina Siza Vieira alerta que, se o mercado americano abrandar ao mesmo tempo que o francês continua a cair, a situação se tornará mais difícil. Ainda assim, outros mercados como o canadiano, alemão, holandês e polaco continuam a crescer, e o turismo português manteve-se em expansão global em julho, com os proveitos totais a aumentarem 4,9%.




