A Casas Bahia protocolou no dia 16 de agosto um pedido de recuperação judicial envolvendo R$ 17,3 bilhões, um dos maiores já registrados no varejo brasileiro. A empresa não está sozinha nesse cenário. Um dia antes, a Marabraz havia entrado com pedido semelhante no valor de R$ 140,2 milhões, e em maio a Tok&Stok também seguiu o mesmo caminho, após fechar o segundo trimestre com prejuízo de R$ 232,7 milhões e queda de 37,3% na receita.
Esses casos fazem parte de um movimento mais amplo de crise no setor varejista do país. Segundo dados da Serasa Experian, o Brasil somava 7.726 empresas em recuperação judicial até junho, representando uma alta de 20,5% em relação aos doze meses anteriores. Apenas no primeiro semestre, 986 companhias do varejo entraram com pedido de recuperação judicial, avanço de 20,4% na comparação anual.
Para especialistas ouvidos pela matéria, o motor da crise não está nas vendas, mas no custo do crédito. A taxa Selic começou 2026 em 15% ao ano e recuou de forma gradual ao longo dos meses, chegando a 14% em agosto, conforme dados do Banco Central. Empresas que acumularam dívidas desde o ciclo de juros altos iniciado em 2022 passaram a enfrentar dificuldades crescentes para honrar seus compromissos financeiros.




