Os juros dos títulos soberanos de vários países ocidentais estão se aproximando de máximas de vários anos, incluindo em Portugal, à medida que os investidores consideram cada vez mais provável uma nova alta das taxas básicas de juros para combater a inflação, num contexto de incerteza geopolítica elevada e crescente investimento no setor de inteligência artificial.
Os juros dos títulos japoneses assumem destaque particular, tendo alcançado máximas de 30 anos ao chegarem a 3% nas maturidades de dez anos. As gilts britânicas de dez anos dispararam 9 pontos base até 5,234%, o nível mais alto desde junho de 2008, enquanto as maturidades de 30 anos atingiram cerca de 5,886%, o valor mais elevado desde 1998.
Nos EUA, os títulos do Tesouro de dez anos tocaram máximas de 20 meses ao subirem 3 pontos base até 4,788%. As bunds alemãs de dez anos subiram mais de 3 pontos base até 3,355%, uma nova máxima do último ano. Na França, as obrigações de dois anos renovaram máximas de abril de 2024 ao chegarem a 3,139%, e os títulos portugueses de 20 anos se aproximaram de máximas de quase uma década ao subirem mais de 3 pontos base até 4,262%.
Os mercados de títulos de renda fixa voltaram a estar em destaque após a retomada das hostilidades no Ormuz, com norte-americanos e iranianos trocando fogo pela primeira vez em várias semanas. Os investidores estão cada vez mais inclinados para novas altas das taxas básicas de juros devido à persistência da inflação na zona do euro, EUA e Reino Unido, possibilidade reforçada pelos comentários do secretary do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, sobre a necessidade de o Banco do Japão subir juros. Existe também o receio de que, com rendimentos acima de 3%, grandes agentes financeiros japoneses abandonem títulos do Tesouro dos EUA em favor do mercado doméstico.




