Portugal é membro fundador da NATO desde 1949, e a Aliança é apresentada como garantia da manutenção da independência e soberania nacional. O artigo defende que o desafio atual passa por aumentar a autonomia do Pilar Europeu da NATO, o que constitui simultaneamente um desafio e uma oportunidade para a indústria portuguesa de Defesa Nacional. As necessidades militares de Defesa Nacional foram definidas em 2025 no contexto deste reforço, com todos os países da Aliança planejando as suas capacidades para os próximos 20 anos.
A indústria de Defesa Nacional deve se orientar pelo usuário final, que são os Ramos militares, enquadrados pelo poder político, e que determinam as suas necessidades operacionais. Portugal está investindo na Defesa por meio da Lei de Programação Militar, do empréstimo SAFE e do apoio à Ucrânia. Até outubro, será definido o Plano de Implementação da Estratégia para a Cooperação entre a Indústria e a NATO, que dará ênfase ao reforço e sustentabilidade da produção no setor de defesa, à inovação tecnológica e à interoperabilidade entre sistemas.
A participação da indústria portuguesa neste Plano depende da sua preparação para responder aos desafios da NATO e do acesso aos canais de informação adequados dentro da Aliança. As prioridades são transmitidas por meio de exercícios como o ARTEx e o REPMUS, realizado anualmente em Troia, e de instrumentos como os challenges e aceleradores DIANA e o NATO Innovation Fund. As empresas portuguesas que ficarem de fora arriscam perder oportunidades e comprometer a sustentabilidade dos seus negócios na Defesa.
O artigo conclui que a proximidade e o conhecimento das necessidades dos destinatários são essenciais para a sustentabilidade da indústria, alertando que os subsídios podem criar dependência perigosa quando não respondem a prioridades reais da NATO e dos militares. Sem indústria que suporte os Ramos militares, estes não conseguem cumprir as suas missões de forma consistente, colocando em risco a própria noção de soberania e independência nacional.




