Os mercados iniciaram setembro sob forte pressão geopolítica, após o fechamento negativo de Wall Street na segunda-feira, impulsionado pela retomada das hostilidades entre os Estados Unidos e o Irã. O retorno dos ataques entre os dois países, após várias semanas de relativa calma, elevou o prêmio de risco no petróleo e reforçou as preocupações com a navegação no Estreito de Ormuz. O euro subiu frente ao dólar, retornando à faixa dos 1,16 dólares, enquanto os yields dos Treasuries de 10 anos subiram para a zona dos 4,75%-4,76%, níveis que correspondem a máximas de cerca de 19 meses. Espera-se uma abertura mista a ligeiramente negativa nos mercados europeus, com atenção especial à evolução do petróleo e aos dados trabalhistas americanos.
O petróleo permaneceu volátil e com viés de alta. Na segunda-feira, o WTI avançou para a zona dos 85-86 dólares e o Brent aproximou-se dos 90-91 dólares, em sequência aos ataques americanos a lançadores iranianos no Estreito de Ormuz e à resposta iraniana. Os analistas mantêm previsões de preços médios acima dos 80 dólares para 2026, sustentados pelos riscos de abastecimento ligados ao conflito no Oriente Médio. Os EUA realizam o primeiro ataque reconhecido em várias semanas contra posições iranianas, atingindo lançadores de foguetes na ilha de Larak, no Estreito de Ormuz, e o Irã respondeu com ataques a bases americanas na Jordânia.
No âmbito do G20, decorreu em Asheville, na Carolina do Norte, a reunião de ministros das Finanças e governadores de bancos centrais, sob a presidência americana. O destaque vai para a presença do Ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, em sua primeira participação presencial em um encontro de finanças do G20 desde a invasão da Ucrânia em 2022. O Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, reuniu-se com Siluanov, tendo sido abordado um plano de paz de 28 pontos para a Ucrânia, apoiado por Washington. A presença de Siluanov gerou protestos de funcionários europeus, com o vice-chanceler alemão ameaçando boicotar a foto oficial do grupo.
Em paralelo, decorreu em Bishkek, no Quirguistão, a cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (SCO), onde o Presidente russo Vladimir Putin manteve uma agenda bilateral intensa. Durante um encontro com o primeiro-ministro indiano Narendra Modi, este pediu o fim da guerra na Ucrânia, afirmando que cada dia que o conflito se prolonga, a humanidade recua. Putin reuniu-se ainda com Xi Jinping para discutir o gasoduto Power of Siberia 2, com o presidente iraniano Masoud Pezeshkian (primeiro encontro desde o início do conflito EUA-Irã), e com Recep Tayyip Erdoğan, entre outros líderes.




