A economia portuguesa cresceu 0,8% em cadeia e 2,5% em termos homólogos no segundo trimestre, segundo dados confirmados pelo Instituto Nacional de Estatística. O crescimento foi impulsionado pelo desempenho das exportações, que compensaram a desaceleração do investimento. O contributo da procura externa líquida foi considerado "decisivo" para a evolução trimestral, com o défice externo a cair um ponto percentual do PIB.
Os economistas alertam, contudo, para sinais preocupantes na evolução do investimento. Após disparada de 10,4% no primeiro trimestre, impulsionada pelos chips da Nvidia para o centro de dados em Sines, o investimento desacelerou para apenas 5,7% no segundo trimestre. João Duque, professor do ISEG, referiu que os valores do investimento "não são bons sinais" num contexto de execução do PRR, cujo prazo terminou na segunda-feira. António Nogueira Leite, da Nova SBE, considerou que "o sinal de abrandamento foi claro" e que "num ambiente tão incerto, é preciso esperar pelos últimos cartuchos".
Os especialistas consideram viável o cumprimento da meta do Governo de crescimento de 2% para 2026, embora com reservas. Nogueira Leite afirmou que "a economia portuguesa acaba por mostrar que tem um crescimento sólido este ano", mas alertou que é preciso "olhar com muito cuidado para a evolução do investimento nos próximos tempos". João Duque lembrou que não se verificava um crescimento assim durante dois trimestres consecutivos desde 2023, mas questionou: "Se isto é com o PRR, se o tiramos, então é preocupante".
No segundo trimestre, as despesas de consumo final das famílias cresceram 3,7% em termos homólogos, com destaque para a aceleração dos bens duradouros de 6,3% para 9,3%. A inflação acelerou para 3,3% em agosto devido ao preço dos combustíveis, e o INE informou ainda que a revisão da população portuguesa para 10,4 milhões de habitantes poderá ter impacto no valor nominal do PIB, com os trabalhos de reavaliação a deverem ficar concluídos em março de 2027.




