Durante mais de uma década, as redes sociais ensinaram marcas, entidades e o próprio Estado a construir perfis detalhados de cada pessoa, transformando cada like, compartilhamento e minuto de atenção em dados que formavam um retrato cada vez mais completo. A inteligência artificial veio eliminar os limites técnicos que ainda mantinham esse processo dentro de certos parâmetros. O que antes exigia equipes de análise, tempo e cruzamento manual de dados é hoje feito em segundos, de forma automatizada e numa escala impossível de replicar por processos humanos. Um sistema de IA pode analisar simultaneamente a linguagem que usamos, os padrões de comportamento, os horários em que estamos ativos, as imagens que publicamos e até o tom emocional das nossas mensagens, criando uma reconstrução quase completa de quem somos, do que sentimos e do que provavelmente faremos a seguir.
O problema não está na tecnologia em si, mas em quem a utiliza e em que condições. Grande parte desse tratamento de informação ocorre fora do alcance de qualquer regulação eficaz. Empresas de análise de dados




