Superávit volta a espreitar, mas muito abaixo do ano passadoFoto de Alexander Krivitskiy no Pexels
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Superávit volta a espreitar, mas muito abaixo do ano passado

Jornal Económico31 de agosto de 2026 às 19:18

Após três meses em déficit, as contas públicas portuguesas voltaram a terreno positivo em julho, com um saldo acumulado de 282 milhões de euros, embora representem uma piora de mais de dois bilhões de euros em relação ao mesmo período do ano anterior. A Seguridade Social gerou um superávit de 4,42 bilhões de euros, enquanto a Administração Central viu seu saldo recuar 3,5 bilhões de euros, sobretudo devido à regularização de dívidas do SNS que atingiu 1,4 bilhões de euros. As despesas cresceram 10,6%, superior ao aumento de 7,4% na receita, com destaque para o IVA (+6,8%), IRPF (+5,7%) e IPTU (+22,7%). Os investimentos públicos dispararam 40,4%, impulsionados pelos projetos do PRR nas universidades e investimentos das administrações

Após três meses consecutivos em défice, as contas públicas regressam a terreno positivo em julho, com um saldo acumulado de 282 milhões de euros. O resultado representa, contudo, uma redução de mais de dois mil milhões face ao mesmo período de 2025.

A síntese de execução orçamental, publicada esta segunda-feira, 31 de agosto, pela Entidade Orçamental, mostra que esta deterioração se deve, em grande medida, à queda do saldo da Administração Central, que recuou 3,5 mil milhões de euros. Excluindo a regularização de dívidas do Serviço Nacional de Saúde (SNS), a redução foi de 2,2 mil milhões. Até julho do ano passado, o excedente das Administrações Públicas ascendia a 2,3 mil milhões de euros.

A Segurança Social apresentou um excedente de 4,42 mil milhões de euros nestes primeiros sete meses, mais 1,2 mil milhões do que no mesmo período de 2025. Na Administração Local, o saldo aumentou em 198 milhões, para 941,5 milhões de euros. Já a Administração Regional melhorou o resultado em 62 milhões, passando a ter um excedente de 6,2 milhões.

A evolução das contas públicas ficou marcada por um crescimento da despesa, de 10,6%, superior ao aumento de 7,4% na receita. Todas as componentes da receita evoluíram de forma positiva, com destaque para as receitas não fiscais e não contributivas, que deram um salto de 18,7%. Já a receita fiscal cresceu 4,2% e a contributiva 6,7%.

Entre os principais impostos, o maior impulso veio do IVA, cuja receita subiu 6,8%, e do IRS, com um aumento de 5,7%. A cobrança de IMI avançou 22,7%, enquanto a receita de IRC recuou 2,4%. As contribuições para a Segurança Social, por seu lado, cresceram 7,3%.

A receita não fiscal e não contributiva beneficiou sobretudo do aumento das transferências (22,3%), dos rendimentos da propriedade (29,3%) e das restantes receitas (47,6%).

Dívidas do SNS pesam no saldo

Do lado da despesa, o resultado foi condicionado pela regularização de dívidas vencidas do SNS. Segundo a síntese de execução orçamental, estas operações atingiram 1,4 mil milhões de euros até julho, muito acima dos 166,7 milhões registados no mesmo período do ano passado. Sem esse efeito, o excedente teria ascendido a 1,7 mil milhões de euros. Ainda assim, ficaria 780 milhões abaixo do valor registado um ano antes. O resultado também reflete, no lado da receita fiscal e contributiva, as moratórias e a isenção do pagamento da Taxa Social Única (TSU) concedidas às empresas afetadas pelas tempestades, refere a Entidade Orçamental.

Excluindo os pagamentos de dívidas do SNS, a despesa primária aumentou em 8,7%. As principais pressões vieram das transferências, com uma subida de 7,2%, do investimento (+40,4%) e das despesas com pessoal (+6,2%).

O aumento dos encargos com trabalhadores do Estado decorre sobretudo da atualização salarial e da subida do salário mínimo, a que se juntou a valorização das carreiras na saúde e no ensino básico e secundário.

Nas transferências, pesa o crescimento da despesa com pensões da Segurança Social e da Caixa Geral de Aposentações. A contribuição financeira portuguesa para o orçamento da UE também aumentou, devido a uma prestação mensal superior à de 2025.

Já o forte crescimento do investimento foi impulsionado pelos projetos das instituições de ensino superior financiados pelo PRR, nomeadamente nas áreas de alojamento estudantil e de capitalização e inovação empresarial. Também contribuíram os pagamentos da CP para a aquisição de material circulante ferroviário, bem como os investimentos das autarquias em habitação e reabilitação de edifícios. Sem os encargos relativos às parcerias público-privadas, o investimento teria crescido 51%.

O saldo primário, que exclui os encargos com juros, fixou-se em 5,3 mil milhões de euros, menos 1,6 mil milhões do que no ano anterior. Sem o efeito da regularização das dívidas do SNS, teria alcançado 6,8 mil milhões, ficando 312 milhões abaixo do valor registado em julho de 2025.

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