Sustentabilidade: Evitar contradições e aumentar ambiçãoFoto de MELQUIZEDEQUE ALMEIDA no Pexels
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Sustentabilidade: Evitar contradições e aumentar ambição

Eco31 de agosto de 2026 às 15:15

A sustentabilidade em Portugal deixou de ser uma preocupação exclusivamente ambiental, tornando-se uma questão econômica, social, energética e de segurança. Portugal alcançou progressos significativos, incluindo o encerramento da produção de eletricidade a carvão, a expansão das energias renováveis, a melhoria da qualidade da água e avanços na eficiência energética, proteção de habitats e economia circular. A União Europeia estabeleceu ainda o Pacto Ecológico Europeu com uma visão ambiental, climática e econômica sem precedentes.

No entanto, o artigo identifica contradições profundas na sustentabilidade portuguesa. Apesar da redução de emissões em alguns setores, a mobilidade continua dependente do automóvel e dos combustíveis fósseis. Embora se fale de economia circular, continuam a ser enterrados demasiados resíduos e a desperdiçar materiais. A gestão da água é adiada, a biodiversidade enfrenta pressões contínuas no solo, litoral, florestas e ecossistemas naturais, e predominam grandes obras de curto prazo em vez de planejamento e prevenção.

O artigo propõe que Portugal deve ambicionar a neutralidade carbônica até 2045 ou antes, com eletricidade totalmente renovável, edifícios eficientes, cidades centradas nas pessoas, transportes públicos acessíveis, agricultura regenerativa, florestas resilientes, rios vivos, um litoral protegido e uma economia de redução de desperdício. Cinco medidas essenciais são apontadas: abandonar progressivamente os combustíveis fósseis, planejar o território segundo a adaptação climática e proteção dos ecossistemas, usar a tributação e os fundos públicos de forma coerente, melhorar o monitoramento com base em ciência e transparência, e envolver cidadãos, prefeituras, empresas e sociedade civil na transformação.

O autor, Francisco Ferreira, escreve no âmbito do 25.º aniversário do BCSD Portugal, salientando que a sustentabilidade em Portugal exige passar da promessa à prática, requerendo visão, ambição, transparência, coragem política e responsabilidade coletiva. Defende que os investimentos num futuro sustentável representam uma garantia de qualidade de vida, competitividade e justiça social, não um custo a evitar.

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