O Teatro Variedades recebe, de 17 a 20 de setembro, a ópera contemporânea portuguesa "Pigmalião", uma criação que transpõe o mito clássico para um futuro pós-apocalíptico onde "Pigmaliões caçam e devoram Manequins errantes". A obra nasceu de uma encomenda do FIO – Festival Informal de Ópera, tendo sido selecionados o compositor Gerson de Sousa Batista, natural de Aveiro, para a música, Tiago Schwäbl Martins para o libreto, e João Vieira Fino para a encenação e conceção plástica.
A produção cruza linguagem operática com música eletrônica, eletroacústica e uma forte componente visual. Segundo Gerson de Sousa Batista, o cruzamento da música eletrônica e eletroacústica añade "novas camadas às atmosferas criadas pelos instrumentos e pelas vozes". A encenação inspira-se no teatro tradicional japonês, particularmente no Teatro Nô e no Kabuki, tendo ainda como referência o encenador norte-americano Robert Wilson.
O processo criativo envolveu crianças entre os 3 e os 5 anos de uma escola em Vila Nova de Gaia, que experimentaram máscaras, fragmentos de manequins, desenharam personagens e exploraram o teatro de sombras. A língua gestual faz parte da proposta cênica, funcionando como extensão da expressividade cênica e como medida de acessibilidade. Esta é a primeira produção da Plataforma Cultural, associação sem fins lucrativos dedicada à criação contemporânea.
A ópera será cantada pelo contratenor António Lourenço Menezes e pela soprano Sara Afonso, acompanhados pelo Ensemble Efeito Pigmalião e pelo Coro Grupo Vocal Arsis, com cerca de 30 coralistas, sob direção musical de Constança Simas. As récitas decorrem de quinta-feira a sábado às 21:00 e domingo às 16:00, com audiodescrição nos dias 19 e 20 e interpretação em Língua Gestual Portuguesa no dia 20.




