O Conselho Nacional da Transição (CNT) da Guiné-Bissau anunciou que os cidadãos votaram a favor da entrada em vigor da nova Constituição no referendo de domingo. O porta-voz Alberto Pinto Lopes afirmou, em conferência de imprensa, que a convicção do CNT se baseia nas projeções apresentadas pela Comissão Nacional de Eleições, sublinhando que a vitória do "sim" está garantida entre os que participaram na votação.
A Comissão Nacional de Eleições comunicou uma participação acima de 50%, embora a oposição e organizações da sociedade civil tivessem apelado ao boicote da votação, o que resultou numa forte abstenção. O CNT lamentou que a oposição tenha "induzido ao erro" os cidadãos com o apelo ao boicote e afirmou esperar que seja coerente não participando nas próximas eleições.
Os militares guineenses protagonizaram um golpe de Estado em 26 de novembro, afastando do poder o Presidente eleito Umaro Sissoco Embaló e fazendo aprovar uma nova Constituição que reforça os poderes do chefe de Estado. A oposição considerou o referendo um "golpe de Estado cerimonial" para permitir que Sissoco Embaló regresse ao poder através de novas eleições marcadas para 6 de dezembro.
Os resultados provisórios do referendo deverão ser anunciados na terça-feira pela CNE. O CNT indicou que não irá impedir a participação nas eleições dos partidos que apelaram ao boicote, embora tenham passado "imenso tempo" a discutir quem tinha legitimidade para propor uma nova Constituição ao país.




