A futura Variante Industrial da Passinha voltou a gerar contestação na reunião de Câmara de Alenquer de 26 de agosto. O projeto, que visa retirar o trânsito pesado das zonas residenciais e melhorar os acessos à área industrial do Carregado, esteve no centro das intervenções do público. Uriel Oliveira, morador em Casais Novos, anunciou que avançará com uma nova providência cautelar caso o processo prossiga nos moldes apresentados, embora tenha concordado com a primeira fase da alternativa. O estudo prévio, datado de março deste ano, divide o traçado em duas fases: a primeira termina na Rua do Sol Nascente e a segunda prossegue até às proximidades da Quinta da Barradinha, inflecte para poente e termina na Avenida da Juventude. O investimento global está estimado em cerca de 3 milhões de euros, dos quais 1,26 milhões para a primeira fase e 1,75 milhões para a segunda.
O presidente da autarquia, João Nicolau, procurou tranquilizar os residentes, garantindo que apenas será executado o trecho necessário para retirar o trânsito do centro da Passinha. Nicolau assegurou que a futura variante não levará mais trânsito para junto da habitação dos munícipes e reconheceu que as preocupações anteriormente apresentadas foram consideradas. O vereador independente Tiago Pedro lembrou que a solução para a fase seguinte ainda poderá sofrer correções e será objeto de participação pública, salientando que a intenção é evitar que o trânsito industrial utilize a rede viária local.
Nádia Loureiro trouxe ao debate a situação atual de descumprimento da proibição de circulação de veículos pesados durante a noite, decisão judicial já validada. A munícipe afirmou que continuam a passar diariamente caminhões, incluindo veículos pertencentes à Santos e Vale e a outras empresas, questionando a fiscalização entre as 20h00 e as 08h00. João Nicolau reconheceu a responsabilidade do município e admitiu a necessidade de reforçar a fiscalização, salientando que a Polícia Municipal, recentemente criada e reforçada com mais dois agentes, não possui meios para assegurar presença permanente durante a noite.
A discussão incluiu ainda a proposta de contrato de cooperação com a Santos e Vale para permitir trabalhos relacionados com a via alternativa e assegurar cedências de terreno. Francisco Guerra, do PSD, criticou o fato de a empresa participar apenas com cerca de 14.800 euros nos custos e contestou a inclusão de terrenos associados à segunda fase. João Nicolau explicou que a inclusão desses terrenos visa garantir desde já as cedências necessárias, nomeadamente para a rotunda norte, sublinhando que a Câmara não está em condições de avançar com a segunda fase. A proposta acabou aprovada com os votos favoráveis do PS, votos contra do PSD e Chega, e abstenção do movimento independente.




