O prefeito de Ribeira de Pena, João Noronha, manifestou à agência lusa a sua preocupação com a falta de conclusão do plano de ordenamento da represa de Daivões, no distrito de Vila Real. O prefeito afirmou ter conversado com entidades envolvidas no processo que desconhecem o seu desenvolvimento.
A represa entrou em operação comercial no verão de 2022 e, em abril de 2025, a Agência Portuguesa do Ambiente e a Iberdrola assinaram um protocolo para financiamento do plano especial das represas do Sistema Eletroprodutor do Tâmega, que inclui as barragens de Daivões, Gouvães e Alto Tâmega. A empresa comprometeu-se a avançar com um financiamento de até 500 mil euros e o presidente da APA previu na época que o plano estaria concluído no prazo de um ano. A APA não respondeu aos pedidos de reação da agência de notícias.
João Noronha afirmou que há investidores que querem avançar com projetos turísticos na região, mas que se encontram num impasse enquanto o plano não estiver em vigor. O prefeito salientou que a prefeitura precisava do plano para poder fazer licenciamentos em áreas turísticas, construção e reconstrução de casas, e que a expectativa era que estivesse concluído em abril. A prefeitura municipal pretende construir um cais fluvial na represa para permitir um maior usufruto da superfície da água.
O prefeito lembrou ainda que 49 famílias perderam as suas casas e terrenos agrícolas para a construção da barragem, num processo longo e doloroso, e que o município contribui para a riqueza do país com a produção de energia elétrica, mas não recebe nada em troca. Noronha afirmou que a prefeitura também desconhece quando receberá o pagamento do IPTU das barragens, sendo que as avaliações das finanças são depois contestadas pelas empresas. O prefeito reuniu-se com o Secretário de Estado da Energia, que disse tomar nota das preocupações e empreender diligências para conhecer o ponto da situação.




