O Kuwait e o Qatar criaram uma "ponte marítima" para continuar exportando petróleo através do Estreito de Ormuz, recorrendo a transferências de carga entre navios no Golfo de Omã, fora da zona mais perigosa. Essa solução permite aos grandes transportadores reduzir a exposição a ataques, depois que muitos armadores se tornaram relutantes em atravessar a região.
Seis meses após o início da guerra com o Irã, desencadeada em 28 de fevereiro, os dois países conseguiram voltar a cerca de 70% dos volumes de exportação anteriores ao conflito. Antes da guerra, exportavam conjuntamente aproximadamente dois milhões de barris por dia. Atualmente, estão saindo de Ormuz entre sete e oito milhões de barris por dia, quase o dobro dos cerca de quatro milhões registrados em meados de julho.
A operação continua envolvendo riscos elevados. Um superpetroleiro da Kuwait Petroleum Corporation foi atingido no início de agosto durante a travessia, segundo informações comunicadas pelo país aos organismos internacionais de supervisão marítima. O Qatar também reforçou as operações, com a QatarEnergy propondo a venda de petróleo através de transferências entre navios realizadas fora de Ormuz.
O aumento das exportações está ajudando a conter a alta do petróleo. O Brent, que ultrapassou os 120 dólares por barril no final de abril, tem sido negociado recentemente entre 87 e 90 dólares. Em Portugal, uma alta prolongada das cotações internacionais pode afetar os preços dos combustíveis, embora o país disponha de reservas equivalentes a 90 dias de consumo para responder a uma interrupção temporária do abastecimento.
O aumento do risco numa rota marítima pode travar exportações em poucas horas e fazer subir os preços da energia em vários continentes. Quando os grandes armadores deixam de aceitar uma travessia, os produtores têm de encontrar outras formas de levar o petróleo até aos compradores sem interromper por completo o abastecimento.
É isso que está a acontecer com o Kuwait e o Qatar, que começaram a fazer passar mais petróleo pelo Estreito de Ormuz recorrendo a embarcações próprias e a transferências de carga realizadas já fora da zona mais perigosa, de acordo com o jornal espanhol AS.
Exportações regressam a 70% dos níveis anteriores
Seis meses depois do início da guerra com o Irão, desencadeada a 28 de fevereiro, os dois países voltaram a exportar cerca de 70% dos volumes anteriores ao conflito, segundo operadores citados pela revista Bloomberg. Antes da guerra, enviavam conjuntamente aproximadamente dois milhões de barris por dia.
Transferências criam ‘ponte marítima’ no Golfo de Omã
A recuperação deve-se sobretudo às transferências de petróleo entre navios no Golfo de Omã. Alguns petroleiros atravessam Ormuz com a carga e entregam-na, já fora da zona mais perigosa, a embarcações maiores. Esta espécie de ponte marítima permite reduzir a exposição das grandes transportadoras a ataques.
Os Emirados Árabes Unidos foram os primeiros a utilizar esta solução em maior escala. A Arábia Saudita também começou a oferecer petróleo através de transferências ao largo de Fujairah e de Sohar, depois de os ataques dos hutis no Mar Vermelho terem aumentado o risco das rotas utilizadas a partir da costa ocidental saudita.
Fluxo diário quase duplicou desde julho
De acordo com os operadores, estão atualmente a sair de Ormuz entre sete e oito milhões de barris por dia, contra cerca de quatro milhões em meados de julho.
A empresa privada de análise do mercado energético Vortexa calculou ainda que a média de sete dias se aproximou dos dez milhões, embora estas estimativas sejam dificultadas pelos navios que atravessam a região com os sistemas de localização desligados.
Kuwait e Qatar mantêm operações apesar dos riscos
A operação continua a envolver riscos elevados. Um superpetroleiro da Kuwait Petroleum Corporation foi atingido no início de agosto durante a travessia, segundo informações comunicadas pelo Kuwait aos organismos internacionais de supervisão marítima. Apesar do incidente, o país continuou a recorrer principalmente à sua própria frota para manter as exportações.
O Qatar também reforçou as operações. A QatarEnergy apresentou uma proposta para vender petróleo através de transferências entre navios realizadas fora de Ormuz, no Golfo de Omã, numa altura em que muitos armadores continuam relutantes em entrar no Golfo Pérsico.
Mais petróleo ajuda a travar subida do Brent
O aumento das exportações está a ajudar a conter a subida do petróleo. O Brent, que ultrapassou os 120 dólares por barril, cerca de 103 euros, no final de abril, tem negociado nos últimos dias entre os 87 e os 90 dólares, aproximadamente 75 euros. Ainda assim, qualquer novo ataque ou bloqueio em Ormuz poderá voltar a pressionar rapidamente as cotações internacionais.
Que impacto pode ter em Portugal?
Portugal depende da importação de petróleo bruto e de produtos petrolíferos, pelo que uma subida prolongada das cotações internacionais pode chegar aos preços dos combustíveis. A Direção-Geral de Energia e Geologia acompanha mensalmente a origem e o valor destas compras. No entanto, as alterações do Brent não passam de forma imediata ou proporcional para os postos, uma vez que também pesam as cotações da gasolina e do gasóleo, o câmbio euro-dólar, o transporte, a distribuição e os impostos.
O país dispõe também de reservas para responder a uma interrupção temporária do abastecimento. Segundo a Entidade Nacional para o Setor Energético, os operadores têm de assegurar o equivalente a 90 dias de consumo. Esta proteção reduz o risco de falta física de combustível, mas não impede que uma nova crise internacional se reflita nos preços pagos pelos consumidores.
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