Especial: Projetos apoiados pela Fundação Jornada vão da dependência das telas à espiritualidadeFoto de Cristian Jacinto no Pexels
MundoLisboa

Especial: Projetos apoiados pela Fundação Jornada vão da dependência das telas à espiritualidade

Agência ECCLESIA29 de agosto de 2026 às 09:00

A Fundação Jornada, criada no âmbito da Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023, está apoiando 25 projetos focados nos jovens em Portugal, utilizando um fundo de 35 milhões de euros resultante do encontro. A instituição dispõe de um orçamento anual de cerca de 800 mil euros para atribuir aos projetos, tendo o primeiro concurso, designado "Jovens Agentes de Esperança", sido lançado este ano, resultando na seleção de 20 iniciativas em março, às quais foram destinados 500 mil euros. Foram ainda disponibilizados 100 mil euros adicionais para projetos focados na espiritualidade dos jovens, em parceria com o Departamento Nacional da Pastoral Juvenil.

Entre as iniciativas apoiadas está o programa "Crescer Curioso", da Associação Mirabilis, que promove a reflexão sobre o impacto do uso precoce e excessivo das telas na saúde e educação, envolvendo jovens, pais e professores. A cofundadora Mariana Reis refere que cada vez mais jovens manifestam o desejo de se retirar do mundo digital e diminuir o tempo de jogo, e que o apoio da fundação visa ampliar o alcance do projeto para mais escolas e famílias.

O projeto "Relatable" promove a inclusão, capacitação e participação social de jovens com deficiência através de mentorias e acompanhamento dos seus projetos de vida, incluindo workshops, palestras, atividades cívicas e apoio psicológico. Os recursos financeiros da Fundação Jornada permitiram estender o programa a toda a Área Metropolitana de Lisboa e à zona norte do país.

Nos Açores, o projeto "@BARCA", situado em Santa Maria, visa capacitar jovens entre os 15 e os 25 anos para dinamizarem atividades dirigidas a menores em situação de vulnerabilidade, promovendo assembleias juvenis e campos de férias. A verba da fundação está sendo utilizada para lançar o projeto, que nasceu este ano. A nova fase de candidaturas para apoiar novos projetos abre a 22 de outubro.

Três anos depois da JMJ Lisboa 2023, programa 70×7 conheceu cinco das 25 iniciativas selecionadas para beneficiar do financiamento resultante do saldo positivo gerado pelo encontro

Foto: Agência ECCLESIA/LJ

Lisboa, 28 ago 2026 (Ecclesia) – A Fundação Jornada, criada no âmbito da Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023, está a apoiar 25 projetos focados nos jovens em Portugal, ajudando-os a crescer através do fundo de 35 milhões de euros gerado pelo encontro, há três anos.

Inês Rocha e Mello, gestora de projetos da instituição, explica, em declarações à Agência ECCLESIA, que as iniciativas são de “áreas muito diferentes”, desde saúde mental, dependência digital, espiritualidade e educação, entre outras, destacando que o acompanhamento disponibilizado vai além da atribuição de verbas.

“O apoio financeiro é um meio e é necessário para poder fazer tudo aquilo que nós queremos, mas o trabalho que tem sido feito é muito mais este de encontrar jovens, aproximarmo-nos dos jovens, trabalharmos em conjunto com os jovens e fazermo-los quase explodir o seu potencial e poder fazê-los sonhar”, afirmou.

A gestora de projetos da Fundação Jornada, que colaborou na organização da JMJ, explica que a fundação tem previsto um orçamento anual de cerca de 800 mil euros para atribuir aos projetos, tendo o primeiro concurso sido lançado este ano – o programa ‘Jovens Agentes de Esperança’ – e dele resultado a seleção de 20 iniciativas, em março, às quais foram destinadas 500 mil euros.

“Entretanto também disponibilizámos mais 100 mil euros para, em conjunto com o Departamento Nacional da Pastoral Juvenil, podermos selecionar ainda outros projetos focados na espiritualidade dos jovens”, referiu.

Inês Rocha e Mello indica que a Fundação Jornada está a “pilotar” o “modelo de acompanhamento” das iniciativas, descrevendo “que tem sido muito interessante” o trabalho realizado com os primeiros selecionados, que estão em várias fases de desenvolvimento.

“No fundo há vários modelos diferentes, desde os projetos que estão numa fase mais inicial e precisam desta ajuda mais estrutural, quase de estruturação do projeto, do próprio programa, da própria oferta, do próprio modelo de equipa […] Há uns que se calhar não precisam tanto deste apoio de estruturação, mas podem precisar aqui de algum apoio para garantir que os timings vão acontecendo e as coisas vão acontecendo no tempo certo”, realça.

Foto: Fundação Jornada

Os candidatos selecionados para o apoio da instituição são “surpreendidos” pela abordagem um “bocadinho diferente” da instituição, testemunha a jovem, já que estão habituados “a uma lógica de procura de financiamento” e acabam por lidar com uma “proximidade” que tem “trazido muitos benefícios”.

A instituição que pretende perpetuar o legado deixado pelo Papa Francisco aos jovens abre uma nova fase de candidaturas para apoiar novos projetos a 22 de outubro.

“Ainda estamos a trabalhar nos critérios, no regulamento que iremos disponibilizar, é a nossa intenção disponibilizá-lo no início do mês de outubro, já com todas as indicações. É a nossa intenção que seja um bocadinho menos abrangente do que o anterior”, indica Inês Rocha e Mello.

Ainda assim, frisa a jovem, a Fundação Jornada mantém a mesma missão: “aproximar, capacitar e impulsionar os jovens”.

“A forma de fazer no concreto pode ir mudando, pode ir tendo os seus ajustes, mas a intenção de fundo é esta, é trabalhar os jovens de forma integral e devolver-lhes a esperança”, reforça.

Entre as 25 iniciativas que a Fundação Jornada apoia, o programa 70×7, transmitido este domingo na RTP2 e disponível em YouTube.com/agenciaecclesia, foi conhecer cindo delas, nomeadamente o “Crescer Curioso”, da Associação Mirabilis, escolhido entre 600 candidaturas.

Trata-se de um programa de capacitação que promove a reflexão sobre o impacto do uso precoce e excessivo dos ecrãs na saúde e na educação, envolvendo jovens, pais e professores ou outros agentes educativos; a associação desloca-se a escolas, centros sociais paroquiais e quaisquer comunidades que pretendam trabalhar o tema.

Mariana Reis, cofundadora da ‘Mirabilis’, dá conta que, cada vez mais o projeto contacta com jovens manifestam o desejo de se retirar do “mundo digital tão forte”, isto é, mostram intenção de largar as “redes sociais” e diminuir o “tempo de jogo”.

“Temos vários testemunhos de miúdos que depois nos contactam, ou de alguma forma os testemunhos nos chegam através de professor, direção da escola ou o que seja, a dizer que, de facto, estão muito mais aliviados, estão menos ansiosos, estão a dormir melhor, porque tomaram decisões concretas no uso dos ecrãs. Isto para nós é fantástico, é uma grande alegria”, relata.

Sobre o apoio financeiro da Fundação Jornada, a responsável explica que este será aplicado para “potenciar o trabalho da Mirabilis” para que a associação possa “crescer em número”, ou seja, “alcançar mais escolas, mais jovens e famílias”, e para avaliar o impacto social da iniciativa.

Incluído na lista de projetos acompanhados pela instituição está também o “Relatable”, um programa que promove a inclusão, capacitação e participação social de jovens com deficiência, através da mentoria e acompanhamento dos seus projetos de vida.

“O ‘Relatable’ procura inspirar, mudar perceções e criar uma certa força de vontade para continuar. E resiliência emocional, intelectual para fazer esse trabalho. Porque ela é muito necessária, porque os obstáculos são múltiplos, acontecem a vida inteira, faz parte de viver. Mas se nós tivermos essa resiliência, conseguimos superá-los”, assinala Tiago Fortuna, cofundador do projeto.

O programa dinamiza workshops práticos, palestras inspiradoras, atividades cívicas e de lazer, apoio psicológico, uma rede alumni e ainda mentorias personalizadas, sendo estas últimas participadas por Laura Alvim, de 17 anos, que tem baixa visão.

“Eu não conhecia assim mais ninguém parecido comigo ou diferente mas que percebesse as dificuldades que é lidar nesta sociedade. Então, sim, eu acho que o ‘Relatable’ ajudou muito nesse aspeto de sentido de comunidade e de um espaço seguro”, testemunhou a jovem.

Neste projeto, os recursos financeiros da Fundação Jornada ajudaram a estender o programa “Relatable” a toda a Área Metropolitana de Lisboa e à zona norte do País, chegando a um público mais vasto.

Em Santa Maria, nos Açores, situa-se o projeto “@BARCA”, que tem como objetivo capacitar jovens, entre os 15 e os 25 anos, para dinamizarem atividades dirigidas a menores em situação de vulnerabilidade, promovendo o seu desenvolvimento integral e a inclusão social.

“Chama-se ‘@BARCA’ exatamente para que haja lugar para todos. […] Também para nós é muito simbólico, vivemos numa condição de insularidade, numa ilha, e, portanto, todo o imaginário à volta do mar, da sua largueza, da sua vastidão, é uma coisa identitária para nós. E, por isso, achamos que ‘@BARCA’ vai dar espaço a muitos tripulantes, a muitas viagens, a muitos tipos de navegação”, indicou Rita Marques, coordenadora do projeto.

Entre atividades promovidas pelo projeto estão assembleias juvenis, um espaço onde se dialoga de forma apartidária, menciona a responsável, bem como um campo de férias.

“Conheci este projeto por meio de colegas meus da escola e o que me levou a participar foi o facto de trabalharmos com crianças de diversas idades e de situações diferentes de vida e que as atividades que íamos realizar iam ser boas para eles”, refere Rita Freitas, de 17 anos.

Na ‘@BARCA’, o montante financeiro transferido pela Fundação Jornada está a ser canalizado para lançar o projeto, que só nasceu este ano.

<div class="mgl-root" data-gallery-options="{"image_ids":["439986","439989","439987","439988"],"id":"6a92933d5d231","size":"medium","infinite":false,"custom_class":null,"link":"file","is_preview":false,"updir":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/","captions":"none","animation":false,"layout":"tiles","justified_row_height":200,"justified_gutter":5,"masonry_gutter":5,"masonry_columns":3,"square_gutter":5,"square_columns":5,"cascade_gutter":5,"class_id":"mgl-gallery-6a92933d5d231","layouts":[],"tiles_gutter":5,"tiles_gutter_tablet":5,"tiles_gutter_mobile":5,"tiles_density":"high","tiles_density_tablet":"medium","tiles_density_mobile":"low","horizontal_gutter":5,"horizontal_image_height":500,"horizontal_hide_scrollbar":false,"carousel_gutter":5,"carousel_arrow_nav_enabled":true,"carousel_dot_nav_enabled":true,"carousel_image_height":500,"carousel_keep_aspect_ratio":false,"map_gutter":10,"map_height":400}" data-gallery-images="[{"caption":"Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/LJ","meta":{"width":1920,"height":1280,"file":"2026\/08\/Mo9inho-Seminario-Caparide.jpg","filesize":831208,"sizes":{"medium":{"file":"Mo9inho-Seminario-Caparide-400x267.jpg","width":400,"height":267,"mime-type":"image\/jpeg","filesize":39724},"large":{"file":"Mo9inho-Seminario-Caparide-1024x683.jpg","width":1024,"height":683,"mime-type":"image\/jpeg","filesize":234767},"thumbnail":{"file":"Mo9inho-Seminario-Caparide-150x150.jpg","width":150,"height":150,"mime-type":"image\/jpeg","filesize":9582},"medium_large":{"file":"Mo9inho-Seminario-Caparide-7

Notícias relacionadas

Mundo

O que faz Cuba depender do exterior para alimentar sua população

Apesar de seu potencial agrícola, Cuba importa aproximadamente 80% dos alimentos que consome, tornando o país altamente dependente do exterior para alimentar sua população. Essa vulnerabilidade alimenta tem gerado desafios significativos para a segurança alimentar nacional.

BBC News Brasil29/08/26, 18:25
Mundo

Ataque russo atinge zona de armazéns com munições na Ucrânia: «Estado falhou mais uma vez»

Um ataque russo atingiu uma zona de armazéns com munições na Ucrânia. O Professor José Filipe Pinto comentou sobre a falha do Estado em proteger adequadamente os seus cidadãos em tempo de guerra.

Now29/08/26, 18:03
Mundo

Idanha-a-Velha debate futuro da arquitectura e património histórico

Realiza-se em Idanha-a-Velha, entre 30 de Agosto e 6 de Setembro, um workshop internacional que reúne peritos universitários europeus para debater o futuro das Aldeias Históricas de Portugal. A iniciativa resulta de uma parceria entre a Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, a Associação de Desenvolvimento Turístico Aldeias Históricas e o Município de Idanha-a-Nova, contando com investigadores das universidades do Porto, Roma Tre e Valladolid. O evento integra 26 participantes que, no âmbito da Estratégia PROVERE Aldeias Históricas 2030, analisarão o papel da arquitectura em contextos de elevado valor patrimonial, procurando conciliar a protecção do património edificado com a dinamização económica e a coesão social. O programa inclui conferências, sessões de projecto e visitas técnicas a Monsanto e Castelo Novo, com apresentação pública das propostas finais a 5 de Setembro.

oRegiões29/08/26, 18:00
Bucha volta a ser abalada por ataque russo após massacre de 2022 onde morreram 400 pessoas
Mundo

Bucha volta a ser abalada por ataque russo após massacre de 2022 onde morreram 400 pessoas

Tropas russas invadiram a Ucrânia em fevereiro de 2022 e ocuparam Bucha durante cerca de um mês, deixando mais de 400 mortos na cidade. Agora, Bucha volta a ser atingida por ataques russos, abalando novamente a população local após o massacre de 2022.

Correio da Manhã29/08/26, 17:54
© 2026 Portugal news in your preferred language