Segundo uma nota da Lusa, o PAN Gondomar criticou há dias o abate de 55 sobreiros na freguesia de Rio Tinto para permitir a conclusão da Via Nordeste, insistindo que quando o projeto foi delineado essa situação deveria ter sido considerada.
Numa publicação na sua página no Facebook, o PAN lembra que as “árvores não apareceram agora”, que “estavam lá desde o início, são protegidas por lei e deveriam ter sido consideradas quando o projeto foi pensado e aprovado”.
“O ICNF [Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas] autorizou o abate de 55 sobreiros adultos, prevendo medidas de compensação. Mas há uma realidade que nenhum processo administrativo consegue apagar: uma árvore que levou décadas a crescer não é substituída amanhã por outra plantada noutro lugar. Perdem-se sombra, biodiversidade, capacidade de retenção de carbono, solo e património natural”, lê-se ainda.
O projeto remonta aos anos 80 do século passado e tornou-se polémico pelo facto de apenas com a empreitada em curso, em 2022, ter sido descoberta a existência de sobreiros em dois locais no percurso da via que ligaria as freguesias de Rio Tinto e de Baguim do Monte, em Gondomar, distrito do Porto, o que obrigou à interrupção dos trabalhos.
A construção daquela via começou em maio de 2021, então com um orçamento de oito milhões de euros e um prazo de execução de dois anos, tendo uma extensão de 2,2 quilómetros, cortada, em dois locais, pela existência de sobreiros.
O presidente da Câmara de Gondomar, Luís Filipe Araújo, estima que a obra estará concluída em dezembro, prevendo que o custo final seja a ordem dos 6,4 milhões de euros.
O PAN Gondomar concorda que “o desenvolvimento e a mobilidade são importantes”, mas alega que “desenvolver um território não pode significar tratar a natureza como um obstáculo que se remove quando fica no caminho”.
“Os sobreiros demoraram décadas a chegar até aqui. Nós precisámos apenas de uma autorização para os fazer desaparecer”, continua a publicação em que o PAN considera que “a Câmara Municipal de Gondomar e o ICNF têm uma responsabilidade acrescida: encontrar soluções que conciliem as necessidades das pessoas com a proteção da natureza e não colocar uma contra a outra”.
O ICNF autorizou em 09 de julho, através da publicação em Diário da República da Declaração de Imprescindível Utilidade Pública, o abate dos 55 sobreiros.

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