
Não é apenas Portugal. Os resultados do maior programa de avaliação de alunos internacional, PISA, mostram uma queda generalizada nas competências de matemática, leitura e ciências em grande parte dos países europeus e da OCDE.
Leitura é a área mais crítica, com as pontuações a caírem 28 pontos nos países da OCDE e 16 pontos entre os participantes não pertencentes à OCDE entre 2015 e 2025.
As competências de leitura são a base de tudo, salienta Mathias Cormann, secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE): “Essenciais para encontrar, avaliar, interpretar e refletir sobre a informação num mundo cada vez mais digital”.
Os investigadores recusam colocar o acento tónico da responsabilidade na pandemia de Covid-19, lembrando que em muitos países os maus desempenhos eram anteriores. Na Leitura, por exemplo, Mathias Cormann diz que resultados mais fracos coincidem com o aumento da digitalização, o prolongamento da exposição aos ecrãs e a queda das taxas de leitura por prazer.
Mais de um em cada quatro alunos disseram que os colegas se distraíam com dispositivos digitais na maioria ou em todas as aulas de ciências. Em Portugal, o problema foi apontado por 31% dos alunos.
O estudo alerta para as ferramentas digitais e a inteligência artificial (IA) na aprendizagem, defendendo o seu uso moderado.
O Programme for International Student Assessment (PISA) avalia o desempenho em 2025 de mais de 760 mil alunos de 91 países e economias.
“Se em 2022, 16% dos alunos da OCDE tinham baixo desempenho às três disciplinas avaliadas – Ciência, Matemática e Leitura – agora são já 20%”, escreve o secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), no prefácio do relatório.
Os alunos portugueses andaram 20 anos para trás na Matemática e na Leitura, segundo o programa de avaliação PISA 2025, divulgado a 8 de setembro.
Alexandre Homem Cristo, secretário de Estado Adjunto e da Educação, descartou responsabilidades políticas no agravamento das aprendizagens. “Estes resultados do ponto de vista da política pública, não estão diretamente ligados ao período deste Governo. Isto não significa que o Governo não se sinta responsável por encontrar soluções”, afirmou sobre os dados do PISA 2025.




