Il Lamina è un ristorante situato in Av. Duque de Ávila 42B, a Lisbona, che ha aperto al pubblico ad aprile. Appartiene al gruppo Paradigma, lo stesso gruppo del Canalha, venendo descritto come il "fratello più piccolo" di questo ristorante. Il nome Lamina è intenzionalmente l'anagramma di "animale", riflettendo il concetto del ristorante.
L'articolo è una critica gastronomica scritta in formato di dialogo tra due persone che hanno pranzato al Lamina. A causa di un guasto all'aria condizionata, i clienti sono stati trasferiti dalla sala interna alla terrazza, creando una certa pressione iniziale. Il menu è stato descritto come redentore, con piatti creativi che combinano i fondamenti della cucina tradizionale portoghese con uno sguardo intelligente e creativo.
Il concetto del ristorante è descritto come "nose to tail", ovvero valorizzare ogni parte della materia prima come un tutto. I piatti menzionati includono Orecchio Croccante con salsa di funghi, lingua affumicata, Patata nella Cenere, Tonno con pisello mangiatutto e tuorlo, e zampe di polpo con riso. I dessert hanno incluso ciliegie macerate con fiori di sambuco e gelato al lampone.
Lo chef del Lamina è Vasco Coelho dos Santos. Il ristorante funziona da lunedì a venerdì, dalle 12:30 alle 15:30 e dalle 19:00 alle 23:00. La carta dei vini include il Saroto Palhete 2024 di Trás-os-Montes, e la salumeria è importata dalla Casa do Capador a Chaves. I prezzi sono descritti come democratici, con molte opzioni in diverse fasce di prezzo.


Caro P.
Não acredito em almoços ou jantares em esplanadas no meio da cidade. Não sei o que pensas, mas, no meu caso, sinto-me observado por quem passa, desconfortável com a mesa exígua onde mal cabem dois pratos, e irritado com a falta de aderência dos pés da mesa à calçada lisboeta, invariavelmente desnivelada. Ponto prévio feito: não gosto, nunca gostei, de esplanadas.
Sucede que o nosso almoço, no Lamina, primeiro repasto desta aventura de dois ignorantes assumidos e descontraídos nas lides da alta, média e baixa cozinha, foi trasladado para a esplanada por uma inconveniente avaria no ar condicionado na sala de refeições. Há dias em que não se deve sair à rua e, sobretudo, comer na rua. Para começo de conversa, tenho, contudo, que confessar que a leitura da ementa foi redentora, desfazendo por completo a minha primeira impressão. E reconheço, ainda, que a orelha crocante e a língua fumada, melhoraram substancialmente o meu estado de espírito. De facto, o universo é um muito competente equilibrador de expectativas.


Caro M.
Há muito que considero que o outdoor está overrated, pelo que tendo a alinhar com a tua embirração. Importa referir que o Lamina (sem acento circunflexo e que é, intencionalmente, o anagrama perfeito de “animal”), situa-se na Duque de Ávila, abriu as portas ao público em Abril e foi reservado via The Fork. Não é preciso ter visto o “The Bear” (Disney Plus, 5 temporadas) para intuir que um incidente (ou acidente?) que obrigue a deslocar todos os clientes da sala (de uma decoração bem conseguida e sem devaneios) para a esplanada (sem originalidade e marcada por uma proximidade exagerada das mesas), introduz, certamente, um certo grau de pressão sobre quem está na cozinha. E sobre quem está a servir. E sobre os clientes. Pressão rima com tensão. E foi assim que começou. No entanto, a diversidade do menu aliviou o clima. Diria mesmo, que a alegria da apresentação (da “Batata nas Cinzas” ao “Atum- Ervilha-de-Quebrar e Gema” passando pelo “Feijão-Verde-Cobra – Café e Levedura”) relançou as expectativas. A excelente execução que se seguiu à escolha das entradas (Orelha Crocante – Molho de Cogumelos e Salada de Tomate (4 tipos: zebra, coração de boi, ananás e negro) simbolizou o espírito percebido do conceito do Lamina: exibir uma certa forma de fazer cozinha a partir dos fundamentos da cozinha tradicional portuguesa. Com criatividade e um olhar inteligente (quiçá irónico) sempre focado no cliente. Propondo mudança e abertura para novas vivências gustativas. Como dizia uma das (muito) competentes empregadas que integram a equipa, “também queremos ser agentes de mudança junto dos nossos clientes”.

Caro P.
Esplanadas à parte, devo dizer-te que aderi de imediato ao conceito do Lamina e aqui vai um anglicismo para o definir: ‘Nose to tail’. Experimentei, pela primeira vez, esta ideia de ‘valorizar cada parte (da matéria que está a ser trabalhada, entenda-se) como um todo, procurando extrair o melhor de tudo’ no St. John de Fergus Henderson, em Londres. Um restaurante superlativo em que toda a equipa, do chefe ao aprendiz, conhece e exerce o ofício de talhante e bebe um copo de Vieille Prune antes de iniciar o serviço. Não é, também, por acaso que o Lamina é ‘irmão’ do Canalha, um dos meus favoritos, replicando uma cozinha competente, tradicional e com identidade, sem invenções e atalhos desnecessários. E oferecendo, tal como o seu familiar da Rua da Junqueira, uma cuidada charcutaria e pratos do dia bem confecionados, com um preço acessível. Optei por umas tenras pernas de polvo, acompanhadas por um cremoso arroz do mesmo (prato do dia das terças-feiras). E não me arrependi.
Nas sobremesas, a sugestão foi do staff: umas cerejas maceradas com flor de sabugueiro que se apresentaram na companha de um gelado de framboesa e que foram dignas de vénias e fortes aplausos. No final do dia (como agora é moda dizer-se no mundo corporativo), uma refeição que poderia ter sido atropelada por um incidente com o ar condicionado, deu a volta por cima e mais do que justificou um regresso urgente à casa chefiada por Vasco Coelho dos Santos.

Caro M.
Sim, ao Lamina assenta bem o gorro de irmão mais novo, claramente mais irreverente e sobressaltado do Canalha (ambos do grupo Paradigma). No meu caso, a escolha do prato principal balançou entre o rosbife e os carapaus (escalados e grelhados) numa muito bem conseguida cama de pimentos e azeitonas. O conjunto dos detalhes também importa, do picante Mondega à mesa ao Saroto Palhete 2024 (Trás-os-Montes) na carta de vinhos, passando pela playlist ambiente nostálgica (Roxy Music, Bee Gees e Mark Knopler…). Também gostei do minimalismo dos lavabos. Tudo isto é um bom augúrio para uma existência marcada por uma identidade que tem o encanto de uma maturidade ainda distante. Foi com frustração que passei ao lado da charcutaria em grande medida importada da Casa do Capador – Vilarinho das Paranheiras/Chaves e que inclui fuet, sangueira e alheira. O couvert é para 3 pax (daí não nos ter sido sugerido?) e integra pão de mosto de cerveja (muito bom), paté de frango & porco, manteiga & kefir batido. Os preços fazem lembrar um sistema partidário moderno: muitas escolhas, com extremos definidos e grande diversidade nas possibilidades de coligações. Muito democrático, portanto.
Lamina
Av. Duque de Ávila 42B, Lisboa
+351 963 323 869
Aberto de segunda sexta, 12h30-15h30 e 19h00-23h00