L'articolo sostiene che settembre segna il vero inizio dell'anno in Portogallo, in modo simile a quanto accadeva nell'Impero Romano d'Oriente, dove la fine dell'estate era il momento di valutare i raccolti e preparare nuove campagne. Questo calendario liturgico delle chiese di tradizione bizantina è ancora oggi utilizzato. In Portogallo, l'anno giudiziario inizia il 1 settembre, i tribunali riaprono dopo la pausa estiva, l'anno scolastico e accademico iniziano, e l'Assemblea Generale delle Nazioni Unite si tiene in questo periodo. I deputati tornano all'Assemblea della Repubblica il 15 settembre per avviare la sessione legislativa, e il Bilancio dello Stato deve essere presentato entro il 10 ottobre.
L'articolo riferisce che i partiti hanno già presentato le loro risoluzioni e linee rosse per la negoziazione, e che il Bilancio dello Stato continua a essere il documento politico più importante, sebbene sia più semplificato. È in questo contesto che l'autore stabilisce cinque priorità per il nuovo anno che ora inizia.
La prima priorità è puntare sulla produttività, seguendo il cambiamento già visibile nel profilo delle esportazioni portoghesi. La seconda è affrontare decisivamente il problema dell'edilizia abitativa dal lato dell'offerta, confrontando la situazione con l'iscrizione ad Alqueva. La terza consiste nel continuare a riformare lo Stato, non solo digitalizzandolo, ma eliminando i processi non necessari. La quarta priorità è concretizzare ciò che è previsto e pianificato, passando dal "regno della carta e di PowerPoint" a quello delle opere.
La quinta e ultima risoluzione proposta è che i decisori politici parlino tra loro, qualcosa considerato essenziale in un parlamento frammentato e con un governo senza maggioranza. L'autore conclude che questa potrebbe essere la migliore risoluzione che i leader potrebbero prendere.

O novo ano devia começar agora, em setembro. Como no Império Romano do Oriente, em que no fim do verão se avaliavam as colheitas, se tratava das obrigações fiscais e se preparavam as novas campanhas. Fizeram-no durante um milénio, devia funcionar. No ano litúrgico das igrejas de tradição bizantina ainda se usa este calendário, desfasado do ano civil. Esqueça-se o 31 de dezembro. É no final de agosto que o país vem de férias, com as baterias recarregadas e a época futebolística já em curso. Há um antes e um depois do período estival. O ano judicial já começou a 1 de setembro, por um par de anos, mas agora, mesmo alinhado com o ano civil, é nesta altura que os tribunais reabrem portas depois da paragem de verão. O ano letivo escolar, de seguida o ano académico. Até a Assembleia Geral das Nações Unidas. Tudo em setembro. Os deputados voltam à Assembleia da República para iniciar a sessão legislativa a 15. O ano político, nesta altura, já começou, com as festas e rentrées. É quando se marca terreno, dizem que vêm para o novo ciclo. Lá está, é o começo do ano. Que se prolonga até ao Orçamento do Estado, apresentado até 10 de outubro, por lei. Continua a ser o mais importante documento político, ainda que esteja mais enxuto, sem o peso do recheio das políticas setoriais.
Portanto, como começa o ano, esta é a altura certa para elencar desejos e formular resoluções. Os partidos já o fizeram, com os temas de combate prometidos e as linhas vermelhas que apresentaram para ir à negociação. Não haverá 12 badaladas, reduzimos assim o esforço. Para o novo ano, o que agora começa, vamos estabelecer cinco prioridades, uma mão-cheia. Primeiro, apostar na produtividade. Vamos ser cada vez menos baratos e cada vez mais produtivos. É um caminho que está a ser feito, como mostra a alteração do perfil das exportações. A seguir, vamos enfrentar decididamente o problema da habitação, pelo lado da oferta. Como se inscreveu no Alqueva, adaptado às circunstâncias: “Construam-nas, porra!”. Leva tempo, comecemos já. Ontem era tarde. Depois, continue-se a reformar o Estado. Não é só digitalizá-lo, é eliminar passos, processos. A inércia é poderosíssima, mas temos de a ultrapassar, não há alternativa. Mais: está muito previsto, planeado, faça-se acontecer, concretize-se. Para sairmos do reino do papel e do powerpoint para o da obra. Finalmente, que os decisores falem uns com os outros. Porque nada acontece sem isso, principalmente num parlamento fragmentado e com um governo sem maioria. Não estão habituados a isso. Não estamos habituados a isto. Entendam-se. Entendamo-nos. Talvez seja a melhor resolução que os líderes poderiam tomar.