L'article critique durement une étude économique et financière commandée par le Gouvernement de la République sur la viabilité d'une liaison maritime par ferry entre Madère et le Continent. L'étude a conclu que le service serait financièrement inviable, avec un déficit prévu de 18,59 millions d'euros. La critique principale porte sur le fait que le rapport n'a entendu qu'un armateur opérant sur la ligne, le Groupe Sousa, qui détient le monopole du transport de marchandises par porte-conteneurs, créant un conflit d'intérêts allégué flagrant.
L'article dénonce l'hypocrisie du Groupe Sousa, qui maintient le Diário de Notícias da Madeira en fonctionnement avec des pertes cumulées et un capital propre négatif, mais utilise des arguments de maîtrise financière pour critiquer le ferry. L'auteur soutient que les pertes sont acceptables lorsqu'elles servent à contrôler la narration dans la Région, mais deviennent un "sacrilège impardonnable" lorsqu'il s'agit de permettre la libre concurrence et la mobilité aux Madériens.
Le texte conteste les conclusions de l'étude, soulignant que 58% des résidents considèrent la liaison nécessaire et que 84% défendent qu'elle soit disponible toute l'année. L'article remet également en question la comparaison entre les prix du ferry et les subventions aériennes, notant que le transport maritime permet de transporter des véhicules personnels, des bagages sans limite et des cargaisons roulières, des capacités que l'avion n'offre pas. L'excuse du manque d'infrastructures est également critiquée, lorsque des investissements sont effectués dans les ports pour des opérateurs privés de cargaison.
Comme solution, l'article propose l'ouverture de la ligne à des opérateurs internationaux comme Naviera Armas, les invitant à opérer à leurs propres risques ou sous une Obligation de Service Public équitable. L'auteur défend que la cohésion territoriale est un devoir constitutionnel et que l'on ne peut accepter que l'on utilise le masque de "l'intérêt public" pour protéger ceux qui souhaitent maintenir l'île en régime de monopole.
Também trabalham aos domingos para fretes?
A
incoerência do Grupo Sousa atinge contornos verdadeiramente surreais quando olhamos para a forma como gere os seus próprios negócios. Recentemente, a análise detalhada às contas do Diário de Notícias da Madeira, empresa do seu universo empresarial,
revelou uma situação inequívoca de falência técnica, onde os prejuízos acumulados e o capital próprio negativo são ignorados em nome do controlo da narrativa e da manutenção da máquina de influência do grupo. Curiosamente, quando se trata da sua própria imprensa, dar prejuízo não é impedimento para continuar a operar e a ditar sentenças. Porém, quando o tema é o ferry, uma ligação marítima essencial que ameaça o seu rentável monopólio no transporte de mercadorias, o Grupo Sousa veste subitamente o fato da contenção financeira e usa o seu jornal deficitário para decretar a "inviabilidade económica" do serviço. Ou seja, para controlar a informação na Região, os prejuízos do grupo suportam-se sem pestanejar, mas para permitir a livre concorrência e dar mobilidade aos madeirenses, qualquer défice passa a ser um sacrilégio imperdoável.
É fantástico, o estudo só conseguiu escutar um armador, o do Grupo Sousa, como se esta terra já não estivesse marcada por muitos pelos seus monopólios e protecionismo do Governo dos oligarcas que chutam a concorrência através dos executivos (governo e autarquias). E onde sai a notícia que vinca que dá prejuízo? No Diário do Sousa ao domingo, que não quer ferry na Madeira porque sozinho com porta-contentores é que é bom. Quanto cinismo.
Como já li, isto é simples, convidam o Armas e deixam-se de tretas para inviabilizar e ele, por sua conta e risco, faz a operação.
A narrativa de que a ligação marítima de passageiros e carga entre a Madeira e o Continente é economicamente inviável voltou à baila, desta vez embrulhada num "estudo económico-financeiro" encomendado pelo Governo da República e difundido com o alarde do costume pela imprensa alinhada. O enredo é velho, mas o cinismo renova-se: utiliza-se a contabilidade para tentar provar que um serviço essencial à insularidade e à coesão territorial é um luxo desnecessário, enquanto se esconde a verdadeira questão, o pavor da concorrência e a defesa intransigente do monopólio do transporte de mercadorias.
Mas vamos ao "estudo" que só ouviu quem lhe interessava! O relatório assume, a preto e branco, ter escutado um único armador com operação na linha, o Grupo Sousa, alegando falta de resposta dos restantes (Grimaldi, Balearia, FRS, etc.). Ouvir em exclusivo o operador que detém o monopólio do transporte de mercadorias via porta-contentores para tirar conclusões sobre a viabilidade de um ferry é o equivalente a perguntar ao dono de uma companhia de táxis se vale a pena ter rede de autocarros. O conflito de interesses é gritante.
A falácia do "apenas 32% embarcam"! A manchete foca-se nos 32% de intenção de uso para criar uma perceção de desinteresse, manipulando os dados. O próprio inquérito revela que 58% dos residentes consideram a ligação necessária e 84% defendem que deve estar disponível durante todo o ano. Dizer que mais de metade da população quer a linha e que a esmagadora maioria exige a sua continuidade, para depois concluir que "não há procura", é um contorcionismo estatístico descarado.
O argumento absurdo dos preços vs. subsidiação aérea! O estudo conclui que o subsídio social de mobilidade no transporte aéreo (a tarifa de 86€ para residentes) "inviabiliza" o ferry. Esquece-se, contudo, de sublinhar a grande vantagem do meio marítimo, a capacidade de transportar viatura própria, bagagem sem limite e carga rodada, algo que o avião simplesmente não oferece. Comparar viagens de avião com viagens de ferry sem ter em conta a mobilidade automóvel é comparar o incomparável. Quer dizer, só se também mais essa está combinada para riscar...
A desculpa conveniente das infraestruturas! Argumenta-se que nem o Funchal nem Lisboa ou Setúbal têm condições operacionais ou rampas ro-ro adequadas sem fortes investimentos públicos. A narrativa é conveniente, quando é para favorecer operadores privados de carga, o Caniçal e os portos nacionais recebem todo o investimento necessário; quando é para dar uma alternativa de mobilidade aos cidadãos, a falta de uma rampa passa a ser um obstáculo insuperável. Lembrou que a APRAM anda a pagar obras no Porto do Caniçal e que a rampa da Pontinha parece um exclusivo do Grupo Sousa (como já vimos na operação com o Armas). Porque não fazem mais uma lota nesse lugar? Também posso brincar.
O duplo critério do "défice" e do dinheiro público! Fala-se num "défice financeiro de -18,59 milhões de euros" ou na necessidade de compensações financeiras para classificar o serviço como inviável. Contudo, omite-se que o transporte aéreo é Fortemente subsidiado pelo Estado, assim como as ligações inter-ilhas. Que o turismo de pata-rapada vem com um subsídio de publicidade nas Low Costs ou que o próprio Lobo Marinho é subsidiado e com negócios garantidos do GR. Porque brincam tanto?! A coesão territorial é um dever constitucional do Estado, não uma operação comercial de lucro iminente. Exigir que um ferry marítimo seja 100% rentável sem apoio público, enquanto se injetam dezenas de milhões noutros setores da mobilidade, é pura hipocrisia política. Porque para o Porto Santo não se discute e para o continente temos este triste espetáculo?
A solução nunca passou por estudos feitos à medida para justificar o status quo. Se a operação é tão "prejudicial" e deficitária como apregoam no jornal do grupo económico interessado, a resposta é simples, abra-se a linha, crie-se um enquadramento legal transparente e sem alçapões, e convide-se a Naviera Armas ou qualquer outro armador internacional a operar por sua conta e risco ou sob uma Obrigação de Serviço Público (OSP) justa e desburocratizada. O que não se pode aceitar é que se continue a usar a máscara do "interesse público" para proteger o negócio de quem quer a ilha fechada a sete chaves.