Tout la même chosePhoto de Julia Alves sur Pexels
Divertissement

Tout la même chose

Jornal do Algarve29 août 2026 à 18:06

L'article aborde l'appauvrissement lexical et culturel croissant de la société, illustrant avec une situation observée lors d'un jeu de cartes. Un enfant d'environ huit ans a appelé « flamingo » un dauphin, et lorsqu'il a été corrigé par un adulte, il a maintenu qu'ils étaient « la même chose » parce que les deux étaient des « animaux ». L'article utilise cet épisode pour illustrer un problème plus large de méconnaissance et de désintérêt à distinguer et nommer les choses.

L'auteure cite Irene Vallejo, qui souligne que ceux qui lisent peuvent mieux exprimer leurs idées, traduire les émotions en mots et verbaliser le parcours de l'apprentissage. Gregorio Luri est également cité, affirmant que lecture, écriture et parole sont liées, et que l'échec scolaire est fondamentalement un échec linguistique.

Le texte compare la société actuelle aux « australopithèques accrochés au téléphone portable », une dépendance difficile à combattre précisément en raison de son utilité. Le phénomène du « c'est la même chose » aura déjà traversé l'enseignement secondaire, alimenté par le manque de curiosité et par la fermeture sur le narcissisme et les certitudes qui naissent de l'ignorance.

Pour renforcer l'argument, l'auteure raconte qu'une employée de supermarché n'a pas pu identifier le gingembre, demandant si c'était une « aubergine ». L'article se termine par une provocation : si même des footballeurs comme Cristiano Ronaldo et Lionel Messi seraient considérés comme « la même chose » pour être tous deux des « joueurs ».

Era um jogo de cartas, o chamado «double» em que se procurava uma imagem repetida na outra carta. A certa altura, um dos jogadores, com cerca de oito anos, disse rapidamente «flamingo» quando o animal representado era um golfinho. O outro, adulto, contrapôs que não estava certo, pois um golfinho e um flamingo eram animais completamente diferentes. Ao que a criança respondeu: «é a mesma coisa». O outro mostrou-lhe no telemóvel imagens de um golfinho e de um flamingo, para provar que nada tinham de parecido sequer. Mas não se convenceu, continuava a ser a mesma coisa, pois eram «animais». Do mesmo modo, parece só haver uma categoria de plantas, com a designação geral de «ervas». Por isso, as mãos já não têm flores nos vasos, limitando-se a cultivar «ervas». E quem diz que é tudo a mesma coisa são os mesmos que perguntam «posso água?» «Posso bolacha?». É que o mundo das palavras se reduz de tal modo que já não há forma de distinguir, nem de nomear, não há o mínimo interesse nem curiosidade em entender, aprender. Paralelamente à recusa da leitura, a par da rejeição dos livros, da palavra impressa, há uma indigência vocabular e cultural que nos transporta para o reino das cavernas. É que tal como refere Irene Vallejo em Manifesto pela leitura: «Quem lê é capaz de exteriorizar com mais clareza as suas ideias, de traduzir por palavras as suas emoções, de ordenar e de verbalizar o percurso da sua aprendizagem». Nesta sequência, a autora cita ainda o filósofo Gregorio Luri «Leitura, escrita e fala estão unidas. Através da leitura reforçamos o significado das palavras que julgamos entender e aprendemos palavras novas. As crianças que leem mais falam e escrevem melhor. O nosso fracasso escolar é, basicamente, um fracasso linguístico. É-o até na matemática».

Com efeito, a ausência de leitura dificulta também a leitura do mundo, pois tal como afirmou a antropóloga francesa Michelle Petit, «Somos animais poéticos». De um modo geral, vivemos o tempo dos australopitecus viciados no telemóvel, uma droga potente, que, devido ao facto de ter também uma vertente útil, imprescindível, e torna muito difícil de combater.

Assim, o mundo reduz-se a meia dúzia de palavras, uma roseira ou uma urtiga são ervas, o leão e a foca são animais, por isso tudo é a mesma coisa. A natureza da qual fazemos parte deixou de existir e esse desconhecimento de plantas, legumes e outros elementos já começou há algum tempo. O «é a mesma coisa» , pelo que me dizem amigas professoras já cruza as linhas do ensino secundário, embalado pela falta de curiosidade, , por um fechamento na concha do narcisismo e das certezas que sempre nascem no solo da ignorância.

No outro dia, num supermercado, comprei gengibre. A funcionária da caixa olhou para o gengibre, deu-lhe voltas, revirou e nada, não registava, não avançava. Perguntei se havia algum problema. Foi então que ela perguntou: «isto é uma beringela, não é?».

Regressamos ao mesmo, uma beringela converte-se em «sinónimo» de gengibre. Agora pergunto, se, no meio da «febre» de colecção dos cromos dos futebolistas do Mundial, poderemos dizer que o Cristiano Ronaldo ou o Lionel Messi são a mesma coisa? Jogadores, não é? Ou haverá alguma diferença?

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