Plus de deux ans et demi après la conclusion d'un projet pilote ayant impliqué 41 entreprises portugaises, la semaine de quatre jours de travail avance dans plusieurs organisations du pays. Pedro Gomes, économiste spécialisé dans les questions laborales, professeur à la Birkbeck University of London et coordinateur de ce projet pilote, révèle que plus de 50% des entreprises participantes continuent de pratiquer ce modèle et que de nouvelles entreprises adhèrent. Le concept ne signifie pas fermer les entreprises le cinquième jour, mais plutôt réorganiser le travail hebdomadairement, en réduisant effectivement le temps de travail sans coupure salariale.
Le spécialiste souligne que la productivité par heure tend à être plus élevée que dans le modèle traditionnel, avec des augmentations estimées à environ 20%, bien que cette valeur ne soit pas transversale à tous les secteurs d'activité. Au Portugal, ce sont surtout les petites et moyennes entreprises, particulièrement dans le secteur des services, qui embrassent cette organisation du travail. Parmi les participantes au pilote qui maintiennent le modèle, on compte des cabinets d'architecture, des cabinets de conseil, une entreprise de commerce de matériel de santé et une crèche, comme le Centro Infantil Maria de Monserrate à Lisbonne, qui près de trois ans plus tard continue de pratiquer les quatre jours.
Pedro Gomes souligne que les PME, bien qu'elles courent plus de risques financiers, trouvent dans ce changement un grand atout pour concurrencer dans l'attraction et la rétention des talents, offrant quelque chose que les grandes entreprises, avec de meilleurs salaires, n'offrent pas encore : moins d'heures de travail et plus de temps libre. La rétention des travailleurs est d'ailleurs l'un des principaux facteurs qui amènent les entreprises à expérimenter ce modèle, contribuant également à réduire l'absentéisme. Dans la vente spécialisée, par exemple, un travailleur qui fait quatre jours pendant cinq ans sera plus productif qu'une succession de travailleurs avec un horaire de cinq jours qui se relaient annuellement.
La semaine de quatre jours est présentée comme une avancée civilisationnelle comparable à l'adoption de la semaine de cinq jours il y a un siècle, aux États-Unis, par Henry Ford. Au cours des dernières décennies, beaucoup a changé en termes technologiques, dans le rôle de la femme et dans la démographie, mais l'organisation du travail en cinq jours s'est maintenue. L'économiste défend que cette réduction peut apporter des bénéfices non seulement pour les entreprises, mais pour toute l'économie et la société en termes de santé mentale et de réduction du stress. Dans le projet pilote portugais, les travailleurs valorisaient la semaine de quatre jours à 28% du salaire, alors que la réduction du temps de travail n'était que de 12%. Pedro Gomes maintient la conviction que la majorité des Portugais peut avoir une semaine de quatre jours d'ici huit ans, appelant les entreprises et les gouvernements à avoir le courage d'expérimenter.

Mais de dois anos e meio depois da conclusão do projeto piloto, a semana de quatro dias avança em várias empresas portuguesas.
“Mais de 50% das participantes do piloto continuam a praticar e há novas empresas a aderir aos quatro dias”, revela Pedro Gomes, economista, especialista em questões laborais, professor em Birkbeck, University of London, e coordenador do projeto que envolveu 41 empresas, ao Jornal Económico (JE).
A semana de quatro dias não é fechar as empresas ao quinto dia. É reorganizar o trabalho na semana e reduzir efetivamente o tempo que um trabalhador trabalha, sem corte salarial. Se para uns, a sexta-feira pode tornar-se o novo sábado, para outros será a segunda, a terça, a quarta ou a quinta…
Para as empresas, explica o autor de “Sexta-feira é o novo Sábado”, “o que é importante perceber é que a produtividade por hora vai ser mais alta do que era antes e mesmo que tenham que contratar, nunca será na proporção direta, dados estes ganhos”.
Os estudos falam em cerca de 20% no aumento da produtividade, mas não pode ser tomado como um valor estanque e sobretudo não é transversal a todas as áreas de atividade.
Em Portugal são as pequenas e médias empresas que estão a abraçar esta nova organização do trabalho, sobretudo na área dos serviços. No grupo das participantes do projeto piloto que dão continuidade à medida contam-se gabinetes de arquitetura, consultoras, uma empresa de comércio de material de saúde e uma creche. Não tendo entrado no projeto piloto, a Farmácia Graciosa em Ferreira do Zêzere avançou para este registo.
“É quase um paradoxo serem as PME, empresas que correm mais risco financeiro se as coisas não correrem bem, que estão na linha da frente desta disrupção”, salienta Pedro Gomes ao JE. Na sua perspetiva, as PME têm aqui um grande trunfo na competição pela atração e retenção de talento. Podem oferecer aos trabalhadores algo que as grandes empresas, que, por norma, pagam melhores salários, para já, não estão a oferecer: menos horas de trabalho, logo mais tempo livre.
Com efeito, a retenção é um dos principais fatores que levam as empresas a experimentar a semana de quatro dias. Uma das participantes mais emblemáticas do projeto piloto coordenado por Pedro Gomes, o Centro Infantil Maria de Monserrate, em Lisboa, que passados quase três anos mantém o registo, aponta justamente para duas batalhas: retenção e absentismo (ver texto ao lado).
No retalho especializado, os ganhos são à partida evidentes. Um trabalhador que faça quatro dias e fique na empresa cinco anos, será sempre mais produtivo e mais eficiente do que uma sequência de trabalhadores com horário de cinco dias, que fiquem um ano e a seguir se vão embora, obrigando a empresa recomeçar o processo.
Um avanço social desta grandeza não se faz, no entanto, sem o envolvimento das grandes empresas. Em termos internacionais há duas marcas mediáticas que têm em curso projetos deste género: a fabricante automóvel Lamborghini e a multinacional do setor ótico Essilor.
“É preciso as empresas terem coragem de experimentar, os governos terem coragem de avançar com projetos piloto, as grandes empresas não terem medo de experimentar”, afirma Pedro Gomes. Olhando para dentro do país, o economista apela a que deem uma hipótese à experimentação: “Testem!”
Avanço civilizacional
Quatro dias de trabalho é disruptivo, tal como a semana de cinco dias há um século, quando foi adotada nos Estados Unidos por Henry Ford nas suas fábricas de automóveis e que a Portugal só chegou na sequência do 25 de Abril. Finalmente, consolidada por legislação em 1996.
Nas últimas três décadas, muita coisa mudou no mundo e em Portugal. Da tecnologia ao papel da mulher, da demografia (população mais envelhecida, acompanhada de quebra na natalidade) aos empregos cada vez mais qualificados. “Só a organização do trabalho em cinco dias se mantém”, salienta o economista, que defende a mudança.
A redução da jornada de trabalho pode trazer ganhos não apenas às empresas, mas a toda a economia e sociedade ao nível da saúde mental, da redução do stresse e do aproveitamento noutras atividades que fazemos quando não trabalhamos. Ou até mesmo como estratégia para aumentar a natalidade.
“Não há que concordar ou discordar”, afirma Pedro Gomes. A semana de quatro dias é uma prática de gestão. Ponto. “Pode haver práticas de gestão que trazem mais benefícios sociais do que outras, o trabalho infantil, por exemplo, achamos que tem efeitos negativos na sociedade e não o queremos”. Do seu trabalho no terreno, sabe que a percepção dos trabalhadores é que esta é uma conquista de enorme valor, sobretudo para as mulheres, para as pessoas com filhos e para as novas gerações que querem um maior equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.
Em concreto, no projeto piloto feito em Portugal “as pessoas valorizavam a semana de quatro dias em 28% do salário quando a redução do tempo de trabalho médio foi de 12%”.
O economista mantém a convicção de que grande parte dos portugueses pode ter uma semana de quatro dias daqui a oito anos. “É realizável. Só não acontecerá se nada fizermos e se as grandes empresas se mantiverem sempre à margem”.
Se as empresas têm de banir o medo de experimentar, aos governos cabe a coragem de avançar com pilotos sectoriais. O pacote laboral, que as empresas prometeram relançar após o chumbo em junho, poderá ser uma oportunidade para fazer mover esta roda do progresso. Assim, haja vontade e criatividade.
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