La discussion sur l'Estrada das Ginjas à Madère a été marquée par des années de controverses, de procédures judiciaires, d'études d'impact environnemental contestées et d'une profonde division entre les défenseurs de l'ouvrage et ceux qui considèrent que l'intervention représente une menace pour la Laurisylve. La question centrale a été de savoir si la route devait avancer ou non, mais l'article soutient que la véritable question est autre : reconnaître l'erreur historique qui a donné naissance à ce problème. Avant l'ouverture de l'actuelle route forestière, il existait dans cette zone un ancien chemin royal, intégré au paysage et compatible avec les valeurs naturelles de la serra, qui a été remplacé par une voie plus agressive, altérant profondément la dynamique du territoire.
Plusieurs associations environnementales ont contesté le projet, soutenant qu'il traverse des zones protégées de la Laurisylve, classées au patrimoine mondial de l'UNESCO et intégrées au réseau Natura 2000. Les travaux de pavage ont fait l'objet de mesures provisoires, de procédures de contestation et d'une forte opposition de la part des organisations environnementales. Récemment, le Gouvernement régional lui-même a fait marche arrière sur l'appel d'offres initialement prévu pour la construction de la route, reconnaissant que l'exécution isolée du chantier ne constituait plus une solution nécessaire.
L'article propose trois priorités pour l'avenir de la zone : la récupération du tracé historique de l'ancien chemin

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discussão sobre a Estrada das Ginjas tem sido marcada por anos de polémica, processos judiciais, estudos de impacte ambiental contestados e uma profunda divisão entre defensores da obra e aqueles que consideram que a intervenção representa uma ameaça à Laurissilva. O debate, porém, continua preso à mesma pergunta: deve a estrada avançar ou não?
Talvez a verdadeira questão seja outra. Em vez de insistirmos numa infraestrutura cuja necessidade continua a ser discutida, porque não refletir sobre o erro original que deu origem a este problema?
Antes da abertura da atual estrada florestal existia naquela zona um antigo caminho real, integrado na paisagem, utilizado pelas populações locais e compatível com os valores naturais da serra. Era um percurso construído à escala humana, respeitando os limites impostos pela montanha e pela floresta. A substituição desse caminho por uma via de circulação mais agressiva alterou profundamente a dinâmica do território e abriu caminho a décadas de intervenções sucessivas.
Hoje, após anos de contestação pública e institucional, parece evidente que a insistência em transformar o Caminho das Ginjas numa estrada regional continua a gerar mais problemas do que soluções. A própria obra de pavimentação esteve envolvida em providências cautelares, processos de impugnação e forte oposição de organizações ambientais nacionais e regionais. Diversas associações defenderam que o projeto atravessa áreas protegidas da Laurissilva, classificadas como Património Mundial da UNESCO e integradas na Rede Natura 2000.
Recentemente, o próprio Governo Regional acabou por recuar no concurso inicialmente previsto para a construção da estrada, reconhecendo que a execução isolada da empreitada deixou de constituir uma solução necessária e optando por canalizar recursos para outras prioridades.
Essa decisão deveria servir de ponto de partida para uma reflexão mais ampla. Em vez de procurar novas formas de concretizar uma obra que continua a dividir a sociedade madeirense, talvez seja tempo de assumir um objetivo mais ambicioso: restaurar o antigo caminho das Ginjas e devolver protagonismo à natureza.
O futuro daquela área deveria assentar em três prioridades claras.
- A primeira passa pela recuperação do traçado histórico do antigo caminho real, preservando o seu valor patrimonial e cultural.
- A segunda consiste na eliminação sistemática das espécies invasoras que continuam a ameaçar os ecossistemas naturais da zona. O combate às invasoras produz benefícios ambientais muito mais duradouros do que a construção de novas infraestruturas.
- A terceira prioridade é permitir que a própria Laurissilva recupere gradualmente os espaços que lhe pertencem. A regeneração natural, apoiada por medidas de conservação adequadas, pode revelar-se a solução mais eficaz, económica e sustentável.
Mas existe ainda outra razão para repensar as prioridades políticas da Região.
A Madeira enfrenta desafios concretos e urgentes que afetam diariamente milhares de cidadãos. Existem ligações rodoviárias há muito reivindicadas pelas populações, problemas de mobilidade que permanecem por resolver e situações de instabilidade geológica que continuam a representar riscos para pessoas e bens. Em vários pontos da ilha, os madeirenses esperam há anos por respostas concretas para questões que têm impacto direto na sua segurança, na sua qualidade de vida e no desenvolvimento económico local.
Perante esta realidade, torna-se legítimo questionar se a Estrada das Ginjas deve continuar a ocupar um lugar central na agenda política regional. O presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, deveria concentrar os esforços e os recursos públicos nos problemas que afetam diretamente o quotidiano dos madeirenses, em vez de manter uma insistência numa obra que nunca reuniu consenso e que continua a gerar contestação.
A verdadeira visão para as Ginjas não passa por mais asfalto, mais betão ou mais movimentação de terras. Passa por reconhecer que aquele território possui um valor natural e histórico único. Passa por restaurar o caminho original, remover as espécies invasoras e permitir que a floresta faça aquilo que sabe fazer melhor há séculos: regenerar-se.
Por vezes, governar bem não significa construir mais. Significa ter a coragem de corrigir os erros do passado e preservar aquilo que torna a Madeira verdadeiramente especial.