L'auteur de cette réflexion a lu pendant les vacances le livre "Le dernier Néandertalien" de Ludovic Slimak, publié en 2023, et partage ses impressions sur l'œuvre, qui aborde l'extinction des Néandertaliens et ses causes. Slimak présente plusieurs idées qui remettent en question le sens commun, incluant l'idée que la disparition des Néandertaliens résulterait d'un effondrement culturel et social interne, plutôt que d'une défaite face aux Sapiens, et que les Néandertaliens ne doivent pas être considérés comme une version imparfaite de l'Homo sapiens, mais comme une forme différente d'humanité avec sa propre culture et rationalité.
L'auteur souligne également que, contrairement aux Sapiens, les Néandertaliens étaient moins capables de s'intégrer dans de vastes réseaux d'échange et d'adaptation, ce qui les a rendus vulnérables dans un monde en grande mutation. L'idée conclusive tirée du livre est que l'extinction n'est pas exceptionnelle, mais une possibilité permanente des sociétés humaines, y compris les plus sophistiquées, qui peuvent devenir structurellement fragiles si elles perdent leur capacité à s'adapter à des transformations profondes.
Partant de ces idées, l'auteur transpose la réflexion à l'actualité, en se concentrant sur la réforme de la Sécurité sociale. Il défend que dans une économie moderne, la productivité résulte de biens publics et d'institutions collectives, comme l'éducation, la santé, la recherche et les infrastructures, et que la Sécurité sociale ne doit pas être considérée comme un simple mécanisme de redistribution, mais comme une partie fondamentale de l'infrastructure institutionnelle qui permet le fonctionnement et la reproduction du système économique.
L'auteur conclut que, étant donné que la richesse est générée par l'action collective et que l'automatisation et l'intelligence artificielle auront tendance à remplacer le travail direct, le financement de la protection sociale ne peut pas dépendre uniquement des cotisations des travailleurs et des entreprises. Il propose que le financement soit considéré comme une responsabilité collective, précisément le type d'adaptation collective que Slimak identifie comme décisif pour la survie des communautés humaines.

Nestas férias aproveitei para terminar a leitura do livro de Ludovic Slimak, O último Neandertal, sugestivamente subintitulado, Compreender como morrem os homens (2023). Não sendo um especialista em paleoantropologia – longe disso –, não posso deixar de manifestar o impacto francamente positivo que o livro me causou. Não apenas pela investigação notável que é tornada acessível a um público vasto, no qual me incluo, mas, sobretudo, pela inferência que nos convida a fazer para a realidade atual que a Europa e o Mundo estão a atravessar.
Correndo o risco de uma interpretação redutora quero salientar duas ou três ideias que me parecem particularmente impressivas e que vão contra o senso comum instalado. A primeira, a de que o desaparecimento dos Neandertais poderá ser visto como uma forma de colapso cultural e social interno, mais do que como o resultado de uma derrota externa. Ou seja, em termos do próprio autor, não como uma extinção violenta, mas como o resultado da erosão – bastante rápida para o referencial temporal do período – das estruturas sociais e culturais em que viviam.
A segunda ideia, ligada à primeira, é a de que os Neandertais não podem ser vistos como uma versão imperfeita do Sapiens, mas como forma diferente de Humanidade com uma cultura e modos de vida próprios e com uma racionalidade própria.
A terceira é a de que, diferentemente dos Sapiens – com quem terão coexistido até mais recentemente do que é suposto – os Neandertais eram menos capazes de se integrarem em redes amplas de troca e de adaptação, o que os tornou mais vulneráveis num mundo que se encontrava em grande mudança.
Arrisco acrescentar uma quarta ideia, de certo modo conclusiva das anteriores – a de que a extinção não é excecional, mas uma possibilidade permanente das sociedades humanas. Mesmo as sociedades mais sofisticadas, como as atuais, podem tornar-se estruturalmente frágeis se perderem capacidade institucional e cultural de se adaptarem a transformações profundas do seu ambiente económico e tecnológico.
Dou um salto para a atualidade para introduzir um tema que não poderá deixar de ser pensado à luz das ideias retidas de Slimak: a segurança social, entendida não como uma resposta agregada às necessidades individuais de proteção, mas como uma instituição fundamental de estruturação e organização coletiva de uma sociedade moderna.
Numa economia moderna a produtividade não resulta apenas – nem sobretudo – do esforço individual, mas de um conjunto de bens públicos e de instituições que garantem a educação, a saúde, a investigação científica, as infraestruturas adequadas, um sistema judicial, a segurança, a estabilidade política e a proteção social. Uma empresa é competitiva porque está inserida num ecossistema que foi construído coletivamente ao longo do tempo e que gera externalidades positivas que beneficiam os agentes económicos considerados nas suas particularidades. Neste contexto a segurança social não pode ser encarada como um simples mecanismo de redistribuição, mas como uma parte fundamental da infraestrutura institucional que permite o funcionamento, a adaptação e a reprodução do sistema económico.
Se a riqueza é gerada por uma ação coletiva crescente é lógico que a discussão do financiamento não pode estar centrada apenas nas contribuições dos trabalhadores e das empresas empregadoras, particularmente num contexto em que a automação e a IA tenderão a substituir o trabalho direto. Se se reconhecer que uma parte relevante da riqueza moderna resulta de investimentos coletivos acumulados ao longo do tempo, então também o financiamento da proteção social deverá ser encarado como uma responsabilidade coletiva.
E esse poderá ser um caminho para garantir a adaptação coletiva exigida pelas transformações tecnológicas e económicas em curso. Precisamente o que Slimak identifica como decisivo para a sobrevivência das comunidades humanas.