Return to the Past?Photo by Mateus Cordeiro on Pexels
PoliticsFaro

Return to the Past?

Jornal do Algarve29 August 2026 at 16:05

The Local Health Unit (ULS) of Algarve announced investments in new diagnostic equipment at the region's public hospitals during a visit by the Minister of Health. The article acknowledges that these investments represent an important advance in modern medicine and may help retain more doctors in the region, noting that professional satisfaction goes beyond financial benefits.

The text provides a retrospective of the first half of the 20th century, when "Caring" was the most relevant aspect of medicine, performed charitably by nuns and later professionalized in nursing. During this period, diagnosis depended on the doctor's ability, and pharmacies functioned as places of advice for patients. Births were performed at home by "Comadres" or midwives, and the death of the mother or child during childbirth was a frequent occurrence.

The article critically analyzes current proposals, namely the suggestion by the President of the Order of Pharmacists for pharmacies to treat simple conditions such as urinary infections. The author argues that the clinical history can never be taken at a pharmacy counter, where intimate patient data would be exposed, and that therapeutic intervention requires adequate diagnostic qualification.

The author also questions the proposal to allow nurses to request examinations for pregnant women, considering that this goes beyond the "Caring" function that is their responsibility. He concludes that replicating methodologies from times of great difficulties in healthcare, when current medicine has excellently developed diagnostic and therapeutic means, does not represent the correct path to follow.

Que o Mundo muda a uma velocidade estonteante é bem patente. A segunda metade do século XX bem mostrou essa mudança vertiginosa de que a Saúde também tanto beneficiou, sendo de saudar os investimentos da ULS Algarve em novos e modernos equipamentos de diagnóstico em todos os Hospitais Públicos do Algarve, anunciados aquando da recente visita da Ministra da Saúde ao Algarve.

Constituem não só paço importante na Medicina moderna, como também condição motivadora da fixação de mais médicos na Região como é noticiado, o que bem mostra a relevância da satisfação profissional num tempo em que é corrente pensar-se que só os proventos financeiros determinam as opções profissionais.

Como vão longe os tempos em que das frentes do combate à doença – aconselhar, diagnosticar, tratar e cuidar – a mais relevante era Cuidar, caritativamente desempenhada pelas freiras das comunidades religiosas, depois profissionalizada na Enfermagem, a profissão, quiçá, de maior exigência vocacional.

O diagnóstico assentava na capacidade e saber do médico em inquirir na história clínica, observar e interpretar semiologicamente os sinais e sintomas que o doente apresentava para poder instituir o tratamento, num tempo em que a escassez do armamentário terapêutico e dos meios complementares de diagnóstico tornava prevalente o Cuidar.

No muito difícil acesso ao médico a pessoa doente procurava Aconselhamento na farmácia próxima, onde os farmacêuticos e os então ajudantes de farmácia, estes mais numerosos, lhes recomendavam para além de medidas de higiene alimentar em especial para as crianças vitimas das então tão frequentes e graves gastro-enterites, medicamentos de venda livre ou tisanas, xaropes e bálsamos para o alívio dos seus males, assim como a intervenção urgente do médico, se fosse caso disso.

E tudo isto se passava na primeira metade do sáculo XX, época em que a morte da parturiente, do filho, ou dos dois, era considerada intercorrência receada no risco do parto de toda a mulher grávida.

A inexistência de Maternidades fora dos Grandes Centros e o opróbrio dos serviços públicos de saúde conduzia aos partos em casa, assistidos pelas senhoras de virtude, as “Comadres”, e nos meios mais urbanos pelas Parteiras, profissionais de formação específica já iniciada no início do século XIX nas escolas médicas que as habilitava com o curso de partos. Só em raros casos o médico da comunidade se deslocava a casa da parturiente, caso surgisse complicação interveniente.

Só depois da Revolução de Abril as Maternidades organicamente funcionais com médicos obstetras, enfermagem especializada, bloco operatório e médicos pediatras e neonatologistas se foram espalhando pelo país numa cobertura em rede, progressivamente abrangente, que o Serviço Nacional de Saúde consagrou.

Hoje com uma Medicina “anos-luz” mais evoluída com acesso a meios de diagnóstico e atos terapêuticos excelentemente desenvolvidos, não pode deixar de ser objeto de profunda reflexão, pese embora a intenção duma melhor acessibilidade, a proposta do Bastonário da Ordem dos Farmacêuticos de passarem as farmácias a tratar a pequena doença, dando como exemplo a infecção urinária “simples”, esquecendo que toda a história clínica nunca pode, em respeito ao doente, ser colhida em público ao balcão de uma farmácia, ou tampouco em qualquer gabinete para o efeito criado por profissional de saúde desqualificado na obtenção dum diagnóstico e a quem o doente possa confiar dados da sua vida íntima como a doença exemplificativa implica, tal como a intervenção terapêutica tem de ser adequada e assertiva, de forma a que a doença ligeira não evolua para doença grave.

Dúbia também a resolução de os enfermeiros puderem pedir exames para grávidas, já que, se de rotina protocolada bastará a requisição informaticamente produzida e se de razão intercorrente implicará o diagnóstico provisório que os determina, logo extravasando a importante função do enfermeiro, a de Cuidar, e com atribuições tão relevantes consignadas na especialização de Saúde Materna e Obstétrica.

Ao médico cabe diagnosticar incluindo na decisão terapêutica os exames complementares de diagnóstico que a sua dúvida prévia determinou.

Replicar metodologias de um tempo de tão grandes dificuldades nos Cuidados de Saúde no momento de técnica auspiciosa que vivemos, não será concerteza o caminho a trilhar. Pensemos nisso.

Related articles

Politics

Army forced to recognize as disabled ex-combatant traumatized by war

A Portuguese ex-combatant of about 70 years old, who fought in Angola after the ceasefire, managed after 15 years of legal battle to get the Army to officially recognize his war trauma as a disability. His wife reports that even today the veteran is deeply affected by sounds of fireworks, even hiding under the bed, evidencing the lasting psychological impact of the Portuguese colonial conflict.

Público29/08/26, 17:58
Politics

Eyeing the motoboy vote, Paes and Ruas promise IPVA exemption for motorcycles in Rio

Rio de Janeiro gubernatorial candidates Eduardo Paes (PSD) and Douglas Ruas (PL) promised to exempt motorcycles up to 180cc from IPVA to win over the vote of motoboys and app delivery workers. Ruas visited Rio's North Zone to speak with these workers and also announced measures such as facilitating credit for vehicle replacement or improvement and creating support points with bathrooms and rest areas.

oglobo29/08/26, 17:57
Politics

The country of deaf ears | By José Figueiredo Santos

This opinion article analyzes the letter from the UN High Commissioner for Human Rights, Volker Türk, addressed to the Portuguese Parliament regarding the bills from PSD, Chega and CDS on gender identity, which propose reintroducing medical requirements for changing name and gender in civil registration. The author satirizes the tendency of political power to legislate on people's lives without hearing them, comparing the bureaucratic process to an administration that transforms people into categories and requires certificates to prove one's own identity. He argues that disagreeing requires responding to the argument, not attacking the messenger, and that Portugal should honor the international commitments it signed in matters of human rights.

Postal do Algarve29/08/26, 17:50
Islandeses decidem futuro da adesão à União Europeia em referendo
Politics

Icelanders decide future of European Union accession in referendum

Icelanders voted this Saturday in a referendum to decide whether the country should resume accession negotiations with the European Union. The vote takes place in a context of growing concern over Donald Trump's ambitions in the North Atlantic and the threat of control over Greenland.

Sábado29/08/26, 17:45