Summer Festivities Renew Themselves Without Losing a Century-Long StoryPhoto by Deise Elen on Pexels
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Summer Festivities Renew Themselves Without Losing a Century-Long Story

Jornal e Rádio Valor Local Regional – Grande Lisboa, Ribatejo e Oeste28 August 2026 at 14:58

The Summer Festivities and Fair of Sobral de Monte Agraço take place from September 11 to 20, in an edition that marks over a century of history of the event. The Mayor of the Municipality, Raquel Lourenço, explains that the new image aims to translate an evolution without breaking with the identity that has always characterized the festivities, seeking to respond to new challenges. The first known news about the festivities dates back to September 8, 1912, and the first known program was elaborated in 1913, which included a fair, exhibition, livestock contest, carnival booth and concerts.

The main novelty of 2026 is the creation of a business showcase, for the first time dedicated to the economic fabric of the municipality. The Municipality intends to provide local economic agents with a privileged space to present companies, products and services, taking advantage of the high influx of visitors during the ten days. This investment is part of a broader strategy to use the festivities as a showcase for the territory, not only for visits but also to attract investment and economic activity.

The program includes concerts by artists such as HMB, Nena, The Box Band, Descendentes and Kura, in addition to theater, street entertainment, children's activities, walks, Folk Festival and bullfighting program. Raquel Lourenço highlights the involvement of local associations and community groups in building the program, considering that the event only makes sense when it is built with the community and for the community.

The mayor has not yet revealed the planned budget nor an estimate of visitors, justifying that the accounts depend on revenue from the venue spaces, whose applications ended on August 14. Municipal teams are preparing the organization of the space, cleaning, parking and security, with meetings held with the GNR and Civil Protection. There is also a planned environmental focus, with awareness-raising for waste separation and the possibility of exchanging the official cup for a washed one.

Há mais de um século que setembro é tempo de festa em Sobral de Monte Agraço. Mudaram os programas, os artistas, os hábitos e até a própria forma de viver estes dias, mas as Festas e Feira de Verão continuam a ser um dos grandes momentos de encontro da comunidade. De 11 a 20 de setembro, o certame regressa com uma nova imagem, alterações na configuração do recinto e uma novidade que traduz uma das apostas da Câmara Municipal para esta edição: pela primeira vez haverá um espaço especificamente dedicado ao tecido empresarial.

Em entrevista ao Valor Local, a presidente da Câmara Municipal de Sobral de Monte Agraço, Raquel Lourenço, explica que a nova imagem pretende traduzir uma evolução sem romper com aquilo que identifica as festas. “Queremos que as Festas e Feira de Verão continuem a ser reconhecidas pela sua identidade, mas que sejam também capazes de responder aos novos desafios.”

A autarca faz questão de lembrar a longevidade do evento. “A primeira notícia de que temos conhecimento remonta a 8 de setembro de 1912”, refere Raquel Lourenço, considerando que mais de um século de história demonstra a importância que as festas assumem enquanto parte da herança cultural e social dos sobralenses.

E é na vertente económica que surge uma das principais novidades de 2026. Pela primeira vez, as festas terão uma mostra empresarial. A Câmara pretende que o evento deixe também uma marca mais forte na promoção das empresas, produtos e serviços existentes no concelho, aproveitando a presença de milhares de pessoas durante os dez dias.

“Queremos proporcionar aos agentes económicos do concelho um espaço privilegiado para apresentarem as suas empresas, produtos e serviços, beneficiando da elevada afluência de visitantes que as festas naturalmente geram”, explica a presidente da Câmara ao Valor Local.

A mostra empresarial junta-se à tradicional Feira de Saberes e Sabores, dedicada ao artesanato, aos produtos regionais e ao saber-fazer local. Também aqui haverá mudanças, com novos espaços expositivos destinados à comercialização, procurando proporcionar melhores condições aos participantes e aumentar a sua visibilidade.

Para Raquel Lourenço, as Festas e Feira de Verão devem ser entendidas também como uma montra do próprio território. A intenção é aproveitar a capacidade de atração do evento para apresentar Sobral de Monte Agraço não apenas como destino de visita, mas como concelho onde se pode viver, investir e desenvolver atividade económica.

Essa aposta tem igualmente uma dimensão imediata. A presidente espera um impacto significativo na restauração e no comércio durante os dez dias, mas considera que os efeitos podem prolongar-se para além de setembro. Quem visita o Sobral durante as festas entra em contacto com o território, a gastronomia, os produtos locais e a capacidade de acolhimento, podendo essa experiência gerar novas visitas e oportunidades económicas. “Queremos que quem nos visita durante as festas leve consigo uma boa experiência de Sobral de Monte Agraço e tenha razões para voltar”, afirma.

A programação foi construída para responder a públicos muito diferentes. Raquel Lourenço define as festas como “um grande evento familiar”, onde várias gerações se encontram e onde convivem música, gastronomia, desporto, cultura, património, artesanato, folclore e tradição taurina.

Entre os principais nomes anunciados estão os HMB, que atuam a 11 de setembro, e Nena, no dia 12. The Box Band sobe ao palco no dia 13, seguindo-se uma Noite de Fados a 14 e os Descendentes a 15. No dia 16 atua a Banda de Música da Força Aérea Portuguesa, enquanto o dia 17 recebe um tributo a Saia do Chão. Kura atua no dia 18 e Raya Evolution no dia 19. O teatro de revista à portuguesa integra também a reta final do programa, nos dias 19 e 20.

Os concertos são, contudo, apenas uma parte de um programa que inclui teatro, animação de rua, atividades para crianças e famílias, caminhadas, passeios temáticos, iniciativas desportivas, Festival de Folclore, programa taurino e ações de valorização do património.

Raquel Lourenço destaca particularmente o envolvimento das associações e coletividades, que não se limita à ocupação dos tradicionais stands. Estas entidades participaram na própria construção do programa e assumem a organização de diferentes iniciativas culturais e desportivas. As Juntas de Freguesia e outros agentes locais foram igualmente chamados a participar.

“Acreditamos que umas festas com esta dimensão só fazem verdadeiramente sentido quando são construídas com a comunidade e para a comunidade”, sustenta a autarca.

Se a Câmara assume a ambição para esta edição, é mais prudente quando questionada pelo Valor Local sobre dois números: quanto vão custar as festas e quantas pessoas são esperadas. Sobre o orçamento, Raquel Lourenço não apresenta ainda um valor. Justifica que as contas terão de considerar não apenas a despesa, mas também a receita arrecadada através da atribuição dos espaços no recinto, cujas candidaturas terminaram a 14 de agosto. A presidente garante que a preocupação passa por conciliar uma gestão responsável dos recursos públicos com a qualidade e dimensão do evento.

Também não há uma estimativa oficial de visitantes. Sendo esta a primeira edição organizada no atual mandato e existindo novidades tanto na programação como na configuração do recinto, a presidente considera que não seria responsável avançar com um número sem uma base sólida que o sustente.

O que a Câmara garante é a preparação para o aumento previsível de pessoas durante os dez dias. As equipas municipais estão a trabalhar na organização do espaço, limpeza urbana e identificação de locais alternativos para estacionamento. Na área da segurança, têm sido realizadas reuniões com a GNR e a Proteção Civil, enquanto o Serviço Municipal de Proteção Civil finaliza o Plano de Contingência e Segurança das festas.

Há ainda uma aposta na componente ambiental. A Câmara pretende reforçar a sensibilização para a correta separação dos resíduos e volta a permitir que os visitantes troquem gratuitamente o copo oficial utilizado por outro devidamente lavado, desde que o primeiro esteja em bom estado de conservação.

Para Raquel Lourenço, é neste encontro entre uma festa profundamente enraizada na identidade local e a vontade de lhe acrescentar novas dimensões que está o desafio desta edição. “Mais do que organizar dez dias de iniciativas, queremos criar dez dias de grande convívio e de celebração daquilo que somos.”

É essa a ideia que a presidente da Câmara pretende associar à primeira edição das Festas e Feira de Verão do atual mandato: manter uma festa reconhecível para quem cresceu com ela, abrir espaço a novos públicos e, simultaneamente, aproveitar a passagem de milhares de visitantes para mostrar o Sobral que existe para lá dos dez dias de setembro.

De 1912 ao primeiro programa conhecido

A referência a 1912 avançada pela presidente da Câmara, Raquel Lourenço, ao Valor Local leva-nos aos primeiros anos da história das Festas e Feira de Verão. Mas é no ano seguinte que surge outro marco importante: em 1913 foi elaborado por um grupo de sobralenses o primeiro programa de festejos conhecido.

A história dessa transformação foi registada por Amílcar Leitão na obra “Festas e Feira de Verão”, publicada em 1995. O autor relata que, após a implantação da República, foram suspensas as manifestações religiosas, tendo sido eliminada a Festa de Nossa Senhora da Vida. No verão permaneceu a componente civil da Feira das Dores, que passou a chamar-se Feira de Verão.

Segundo Amílcar Leitão, a partir de 1913 esta absorveu a componente civil da festa de 15 de agosto, enquanto a feira, exposição e concurso de gados passaram para essa data. A exposição e o concurso de gados acabariam por desaparecer na década de 1950.

O primeiro programa conhecido, elaborado em 1913, permite também perceber como eram diferentes as festas de então. Incluía feira, exposição e concurso de gados, mercado franco, quermesse, concerto musical e iluminações.

Mais de 110 anos depois, muito mudou na forma de festejar. Mas a referência de 1912 e o programa conhecido de 1913 ajudam a reconstruir os primeiros capítulos de uma celebração que continua a marcar a vida de Sobral de Monte Agraço.

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