Last week, the United States reached a new milestone as its public debt surpassed forty trillion dollars, representing approximately 125% of GDP. This milestone is particularly significant because the last trillion was accumulated in less than five months, while the first trillion of debt took over 190 years to form. Currently, American debt is almost double China's, which stands at 22 trillion, and Japan's, at 9 trillion. Of the total debt, almost a quarter is external, with Japan, the United Kingdom, China, Belgium, and Canada among the main holders.
The Congressional Budget Office has repeatedly warned that the debt trajectory is unsustainable, projecting it will exceed 60 trillion in less than 10 years, with 50 trillion already expected by around 2030. The country is currently paying more than 3 billion dollars per day in interest, and financing costs are rising significantly, with interest rates on debt securities at their highest levels in about 20 years. 30-year bonds are at 5.3%, compared to 1.7% in 2021, and 30-year mortgage rates reach 6.6%.
Debt service is reaching 1.4 trillion dollars, with projections to reach 1.7 trillion in two years. Donald Trump is preparing a new fiscal measure that would tax capital gains only in real terms, that is, adjusted for inflation. The Committee for a Responsible Federal Budget projects that this measure could add up to 950 billion to the debt by 2035, with 70% of the fiscal gain concentrated among the top 1% richest Americans. The budget deficit is expected to reach 5.8% of GDP this fiscal year, and the measures already announced by Trump in this term cost 4.6 trillion in debt over ten years. Trump's popularity stands at only 33%, according to Reuters, the lowest level since he took office.

A semana passada os EUA bateram um novo recorde económico, depois dos mercados de capitais: a sua dívida pública ultrapassou os quarenta biliões (milhões de milhões) de dólares, ou cerca de 125% do PIB. O significado vai mais longe: é que o último bilião levou menos de cinco meses a acumular; o primeiro tinha levado mais de 190 anos. É caso para dizer que efetivamente Trump está a fazer a América grande, até em dívida – a dívida americana é hoje quase o dobro da chinesa, que está em 22 biliões, e da japonesa, em 9 biliões. Desta dívida pouco menos de um quarto é dívida externa, 1,1 biliões pelo Japão, 0,9 pelo Reino Unido, 0,6 pela China e 0,5 por Bélgica e Canadá.
O problema é que o Céu não é o limite. O Congressional Budget Office tem vindo a avisar repetidamente que a trajetória da dívida é insustentável, e que se nada for feito ultrapassará os 60 biliões em menos de 10 anos – os 50 biliões estão já ao virar da esquina, por volta de 2030. Nada do outro mundo para quem está a pagar mais de 3 mil milhões de dólares por dia em juros. Mas as consequências são pesadas. A taxa de juro sobre os títulos da dívida está aos níveis mais altos em cerca de 20 anos; os títulos a 30 anos, por exemplo, estão a 5,3%, que compara com 1,7% em 2021. Isto significa que o financiamento do Estado encareceu, e o da economia também – a taxa dos empréstimos hipotecários a 30 anos vai nos 6,6%. Mais problemas para Trump, com o nível de popularidade mais baixo desde que assumiu a presidência: apenas 33% segundo a Reuters. Qualquer dia o avião do presidente passará a ser o Air Farse One.
A questão é até que ponto a situação está debaixo de controlo. Só o serviço da dívida está a atingir os 1,4 biliões de dólares, e projeta-se que atingirá 1,7 biliões em dois anos. Entretanto, Donald prepara uma nova medida fiscal: só taxar os ganhos de capital em termos reais, isto é, líquidos de inflação. O Committee for a Responsible Federal Budget projeta que até 2035 esta medida acrescente até 950 biliões à dívida – apagar o fogo com gasolina, sobretudo porque o ganho fiscal concentrar-se-ia a 70% nos 1% dos americanos mais ricos. Isto quando o défice orçamental deverá atingir os 5,8% do PIB este ano fiscal (setembro) e as medidas anunciadas por Trump neste mandato já custam em dívida 4,6 biliões em dez anos. Há três mil anos, os mesopotâmios faziam os seus cálculos em astronomia na base 60; pode vir a ser vantajoso fazermos o mesmo quanto aos cálculos sobre a dívida americana.