Gemeinsam vor dem "Ja": Was sich zwischen dem Mercosur und Europa bereits verändert hatFoto von Rientje Maya Christina auf Pexels
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Gemeinsam vor dem "Ja": Was sich zwischen dem Mercosur und Europa bereits verändert hat

Jornal Económico4. September 2026 um 00:10

Das Handelsabkommen zwischen Mercosur und der Europäischen Union gilt seit dem 1. Mai provisorisch und fungiert als eine Art "de-facto-Union", die bereits reale Auswirkungen produziert, obwohl das vollständige Partnerschaftsabkommen noch auf die Stellungnahme des Gerichtshofs der Europäischen Union wartet, die Ende 2027 erwartet wird. In den ersten zwei Monaten stiegen die brasilianischen Exporte nach Europa um 10 Milliarden Real, ein Anstieg von 26% gegenüber dem Vorjahr, angetrieben durch Produkte wie Mango, Kaffee und Honig. Staaten wie Ceará und Goiás spüren bereits erhebliche Auswirkungen, wobei Goiás die Schaffung von 24.200 Arbeitsplätzen prognostiziert. Während das Gericht noch nicht entschieden hat, bleiben Fragen wie Schutzmechanismen für französische Landwirte und das Nachhaltigkeitskapitel offen, was Unternehmen mit reduzierten

Há relações que funcionam muito bem antes de qualquer papel passado. É o caso do Acordo Mercosul-União Europeia, que desde 1 de maio vigora provisoriamente numa espécie de união de facto: produz efeitos reais no dia a dia das empresas, mas ainda não tem a bênção da família. A família, neste caso, chama-se Tribunal de Justiça da União Europeia, e a bênção pode demorar até ao final de 2027.

Vale explicar a distinção, porque interessa a quem investe. As negociações fecharam-se em 2024, o Conselho aprovou a assinatura a 9 de janeiro de 2026 e o texto foi rubricado em Assunção a 17 de janeiro de 2026. Quatro dias depois, o Parlamento Europeu, pressionado por França, Polónia e Áustria, pediu ao Tribunal do Luxemburgo um parecer sobre a compatibilidade do acordo com os Tratados, travando o Acordo de Parceria mais amplo. Já a parte comercial, batizada de Acordo Interino, entrou sozinha em vigor a 1 de maio, data que assinalei noutra coluna nesta casa, a propósito do labirinto fiscal brasileiro.

E os números já falam. Nos dois primeiros meses de vigência, as exportações brasileiras para a União Europeia cresceram 10 mil milhões de reais, mais 26% do que no mesmo período do ano passado, puxadas por manga, café, mel, máquinas e motores. O movimento ganhou outro sentido depois de Washington confirmar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros: a porta que se fecha de um lado empurra o Brasil com mais força para a que se abre do outro.

O efeito não fica em Brasília. No Ceará, as vendas para a Europa já sobem 72% no acumulado de doze meses, com destaque para as rochas ornamentais que a Itália compra avidamente. Em Goiás, a União Europeia já absorve 12,5% do que o estado exporta, e a federação da indústria local estima um ganho adicional de 218 milhões de dólares e a criação de 24.200 postos de trabalho, sobretudo em agroindústria, mineração, metalurgia e couros.

Enquanto o Tribunal não fala, ficam em aberto partes inteiras do Acordo de Parceria: os mecanismos de salvaguarda automática que a França exige para os seus agricultores, o capítulo de sustentabilidade que travou as negociações, e a arquitetura institucional que dá corpo político ao que hoje é, sobretudo, comércio. Quem exporta ou investe hoje já usa tarifas mais baixas e certificados de origem já emitidos; só não sabe ainda em que moldura política tudo isto vai assentar em definitivo.

Para as empresas portuguesas com operação no Brasil, ou brasileiras com ambição europeia, esta fase intermédia é precisamente onde a assessoria jurídica e fiscal especializada compensa o investimento. Não basta aproveitar a tarifa mais baixa de hoje, é preciso estruturar operações que resistam a um desenho jurídico ainda em aberto. O acordo já vale a pena. Só ainda não está, formalmente, casado.

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