Der Artikel analysiert die Haltung von Chico, einer politischen Figur, die Sozialviertel besucht, mit Bewohnern spricht und Fotografien dieser Besuche veröffentlicht. Gleichzeitig baut er einen Diskurs auf, in dem die sogenannten „Zuschussabhängigen" als nationales Problem dargestellt werden. Der Autor hinterfragt die Kohärenz dieses Vorgehens und fragt sich, ob die Besuche in den Vierteln echte Gespräche mit Bürgern sind oder lediglich eine Liste zur Unterscheidung zwischen den Guten und den Schlechten.
In den sozialen Netzwerken zielt Chico auch auf die Muslime ab und verbindet schwere Anschuldigungen mit einer gesamten religiösen Gemeinschaft. Der Autor unterscheidet: etwas völlig anderes ist es, die Einwanderung zu kritisieren oder strenge Regeln in Sicherheitsfragen zu fordern, als eine ganze Religion in eine kollektive Anklage zu verwandeln, denn Verbrechen müssen untersucht und Verdächtige individuell vor Gericht gestellt werden.
Der Artikel weist auf eine Ironie hin: Folgt man Chicos eigener Logik, könnte jemand fragen, ob sich unter den Fotografierten nicht Personen befinden, denen schwere Verbrechen vorgeworfen werden. Ein Foto beweist weder Mittäterschaft noch Freundschaft, weder Unschuld noch Schuld – es beweist nur, dass zwei Personen vor einer Kamera standen. Die Regel sollte einfach sein: Bevor man anklagt, beweisen; bevor man verallgemeinert, unterscheiden; bevor man veröffentlicht, nachdenken.
Der Autor schließt damit, dass Chico die Viertel weiter durchstreifen kann, aber nicht verlangen kann, dass andere nach ihren Begleitern beurteilt werden, während er selbst nur nach seinen Worten beurteilt werden will. Politik erfordert Kohärenz, und wer mit dem Finger auf andere zeigt, sollte sich an die vier Finger erinnern, die auf einen selbst zeigen. In einer ernsthaften Demokratie werden Fragen gestellt, Beweise vorgelegt und Verurteilungen den Gerichten überlassen.

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á personagens políticas que conseguem uma proeza curiosa: num dia descobrem os grandes males da sociedade e, no dia seguinte, surgem em fotografias ao lado daqueles que parecem representar o que dizem combater. É o caso do Chico. O Chico anda pelos bairros sociais, conversa com moradores e tira fotografias. Nada contra, pois a política também se faz no terreno. O problema surge quando, simultaneamente, constrói um discurso em que os chamados “subsídio-dependentes” são apresentados como um problema nacional. Fica a pergunta, quando vai aos bairros, fala com cidadãos ou leva uma lista para separar os bons dos maus? Se entre os fotografados houver beneficiários de apoios sociais, isso não faz deles cidadãos de segunda, mas seria interessante perceber como essa realidade se concilia com a sua postura tão dura. Paralelamente, nas redes sociais, o alvo viram os muçulmanos, a quem associa acusações extremamente graves. Convém distinguir: uma coisa é criticar a imigração, defender regras exigentes ou discutir segurança; outra é transformar uma comunidade religiosa inteira numa acusação coletiva. Crimes investigam-se e suspeitos julgam-se, uma religião não é uma ficha criminal.
Há também uma ironia que o Chico talvez devesse considerar, quando lança acusações levianas aos outros, talvez seja melhor olhar cuidadosamente para as suas próprias fotografias. Não porque uma imagem prove qualquer crime, não prova, mas porque, seguindo essa sua própria lógica, alguém poderia perguntar se entre os fotografados não estará alguém acusado de algo ainda mais grave, como abuso de menores. Essa pergunta não provaria absolutamente nada; seria apenas o espelho da régua utilizada pelo próprio. Afinal, uma fotografia não atesta cumplicidade, amizade, inocência ou culpa, provando apenas que duas pessoas estiveram juntas diante de uma câmara. A regra devia ser simples: antes de acusar, provar; antes de generalizar, distinguir; antes de publicar, pensar.
O Chico pode continuar a percorrer os bairros, conversar com moradores e publicar fotografias, pois isso faz parte da atividade política. Contudo, não pode pretender que os outros sejam julgados pelas companhias enquanto ele próprio exige ser julgado apenas pelas palavras. A política exige coerência, e quem aponta o dedo aos outros deve lembrar-se dos quatro dedos que ficam virados para si próprio. No seu caso, a próxima fotografia talvez mereça menos aplausos e mais perguntas. Não acusações gratuitas, mas perguntas legítimas. Numa democracia séria, as perguntas fazem-se, as provas apresentam-se e as condenações deixam-se para os tribunais, tudo o resto é apenas barulho político.