

A SIC apresentou na tarde de quarta-feira a sua nova temporada sob o mote “A Casa”, numa apresentação que procurou mostrar a abrangência da marca com a televisão no centro. Uma das principais novidades anunciadas é também uma homenagem ao falecido Francisco Pinto Balsemão, com o podcast “Deixar o Mundo Melhor” a ganhar nova vida através de um movimento, associado a um projeto multiplataforma e à atribuição de um prémio.
No discurso introdutório, Francisco Pedro Balsemão, CEO e chairman do grupo Impresa, deixou ainda uma saudação à MFE, que marca esta quinta-feira precisamente seis meses da sua entrada como novo acionista.
O impacto da MFE já se faz sentir?
Em Abril, Francisco Pedro Balsemão explicava ao +M que as áreas com mais potencial de sinergia seriam as receitas, a publicidade, a tecnologia (AdTech) e a venda de conteúdos. Agora, “em geral, vamos sentindo aquilo que pretendíamos com a entrada da MFE, que tem uma estratégia pan-europeia e muita experiência nos media”, aponta, em declarações ao +M à margem do evento. “Não há um marco específico para assinalar neste momento, mas vai-se sentindo na operação comercial“.
Italiana MFE já é a segunda maior acionista da Impresa
É nessa área que, em junho, se concretizou a entrada de Pietro Casiraghi , vindo da MFE, para assumir o cargo de business development director da Impresa, que também marcou presença no evento. “Pretende-se reforçar a relação com determinados anunciantes que podem ter cá equipas, mas não o centro de decisão. Como têm presença europeia e a MFE já interage com esses anunciantes e com as agências, isso pode trazer mais negócio para o grupo Impresa em Portugal”, explica Pedro Balsemão. Já nas áreas de AdTech, tecnologia e venda de conteúdos, garante que os processos estão em curso. “Sempre que houver algo mais relevante, isso saber-se-á.”
Sobre a plataforma de streaming pan-europeia que a MFE prepara — juntando a Infinity (Itália e Espanha) e a Joyn (Alemanha) — a resposta é direta: “Neste momento não temos nada previsto em relação à Opto”. As equipas da Impresa e da MFE estão numa fase de conhecimento mútuo em AdTech e tecnologia, sem qualquer integração de funcionalidades prevista neste momento.
“Deixar o Mundo Melhor” de Pinto Balsemão vai perdurar em novo projeto multiplataforma e prémio
Uma das novidades da “Nova Temporada” vai além da SIC e envolve toda a Impresa na continuação do legado de Francisco Pinto Balsemão, homenageado de várias formas ao longo do ano. O grupo faz agora nascer o movimento “Deixar o Mundo Melhor”, uma iniciativa conjunta da SIC e da construtora Dst.
O projeto é inspirado no podcast homónimo — que fez Pinto Balsemão tornar-se num “podcaster” aos 85 anos — produzido a propósito dos 50 anos do Expresso, no qual foram entrevistadas 50 personalidades da sociedade portuguesa sobre o que cada uma deixaria para um mundo melhor. A ideia liga-se também às suas memórias, cuja última página revela que o mais importante para si tinha sido deixar o mundo melhor com a sua passagem.
Balsemão, o jornalista que ambicionou deixar o mundo melhor
“Sempre dissemos desde a sua morte que queríamos preservar e reforçar o seu legado, tendo surgido a ideia de fazer este projeto multimédia e multiplataforma. A ideia parte da minha irmã Mónica Balsemão, que tem sido a pessoa mais envolvida e ativa nesta frente relacionada com reforçar e preservar o legado do nosso pai”, explica Francisco Pedro Balsemão.
A iniciativa arrancou já esta quarta-feira, desdobrando-se em reportagens da SIC Notícias e SIC a cargo da jornalista Lúcia Gonçalves, transmitidas a partir de outubro. Em 2027, o projeto ganha artigos no Expresso e um podcast em simultâneo, ainda sem apresentador definido. O júri do prémio está também a ser convidado.
O grande momento chega a 21 de outubro de 2026, data do primeiro aniversário da morte de Pinto Balsemão, com uma conferência que lança oficialmente o prémio “Deixar o Mundo Melhor” — destinado a “projetos, coletivos ou individuais” que ajudem a perceber “como se pode deixar o mundo melhor”. As candidaturas abrem nesse dia e o vencedor (ou vencedores) serão conhecidos um ano depois, a 21 de outubro de 2027, numa segunda conferência.

Diversidade de géneros como estratégia na rentrée
Sobre a grelha apresentada, Daniel Oliveira, diretor-geral de entretenimento da SIC, admite que a mudança nas tardes de fim de semana — com um talent show ao sábado e o novo formato de João Baião ao domingo — representa uma alteração face ao que a estação tinha. Noutros horários, a aposta é a manutenção de formatos de sucesso. “Todas as apostas comportam um risco, mas é um risco que gostamos de ter, de apresentar propostas novas e outras que, já sendo conhecidas, possam também inovar”, afirmou, em declarações aos jornalistas.
Arrisca-se na televisão generalista?
Neste ano, analisando os dados trabalhados pela Dentsu Media para o +M, a SIC tem conseguido garantir a liderança da faixa da hora de almoço e do horário nobre. Além disso, desde junho que tem descolado da TVI nas audiências mensais.
Questionado sobre se antevê a liderança anual, sublinha que a estratégia passa por não abdicar de “um padrão de qualidade” estética e de conteúdos, apostando na diversidade em antena, com formatos que passam pelo humor, séries e programas de proximidade, entre outros. “Esperamos que o público adira e, portanto, se continuar a aderir como nestes primeiros 8 meses, isso será uma realidade.”
Adaptação portuguesa de Avenida Brasil é destaque na ficção
Na ficção, uma das novidades é “Destino Maior”, com estreia marcada para segunda, 14 de setembro. A telenovela é protagonizada por Sara Barradas, Sofia Ribeiro e Diogo Amaral, tendo emissão garantida na Sic, Opto e Disney+ — — a primeira das duas telenovelas previstas no reforço da parceria com a plataforma de streaming, fechado em julho.
SIC e Disney+ expandem parceria até 2027
Sobre o impacto deste reforço na parceria com a Prime Video, que emite “Páginas da Vida”, Daniel Oliveira responde: “Trabalhamos com todos os players privados e plataforma“, acrescentando que o foco passa por “produzir com qualidade”. “Quando produzimos com qualidade, obviamente vamos gerar esse interesse. O facto de ter havido uma renovação do interesse [do Disney +] depois do resultado de ‘Vitória’ é um bom sinal em relação à nossa ficção”, defende.
O grande anúncio de ficção é, porém, para 2027, com “Avenida Portugal”, adaptação portuguesa da telenovela da Globo “Avenida Brasil”. Daniel Oliveira justifica a escolha pela força da história original — “é mais do que um nome, é uma metáfora de um país, de um povo” — e pelo facto de o original ter passado em Portugal há 14 anos (em 2012), reforçando o histórico de sucesso da SIC com adaptações da Globo, como “Páginas da Vida”. Com a Globo a apostar numa sequela, a estrear no Brasil em janeiro de 2027, Daniel Oliveira afasta a questão de se adiar essa transmissão, prevista em território português para o final de 2027/início de 2028.
No seu entender, a aposta em adaptações de telenovelas turcas e brasileiras não significa que se esteja a afastar da ideia de novelas originais. “As novelas que são adaptações das turcas muitas vezes partem de um pressuposto de 10 episódios e, portanto, construir 250 em cima de 10 episódios acaba por ser quase uma novela original“, exemplifica.
Resumidamente, acredita que este tipo de aposta “é um bom compromisso entre aquilo que pretendemos trazer para o mercado nacional e a aposta em talentos seguros na representação, com histórias que são muito fortes, que têm um apelo por parte do público e é um caminho que tem dado frutos”.
Ainda na ficção, a SIC estreia na Opto, em parceria com a Globo, a sua primeira nova novela vertical, através da história de Bibi — personagem interpretada por Juliana Paes em “A Força do Querer”.
Microdramas são o futuro?
Nesta área, Daniel OIiveira explica que procuram mais a qualidade do que a quantidade. “Preferimos dar pequenos passos que sejam certeiros e testar a reação do público do que passos mais quantitativos de disparar em diferentes formatos”, defende. Além deste primeiro, estão em carteira outros projetos, “alguns escritos, outros prontos para arrancar a gravar se quisermos e quando quisermos para também apostar nesta vertente das novelas verticais”. A curto prazo, fica de fora uma micronovela a explorar o casal Bernardo e Teresinha da telenovela “A Herança”.
A estação ainda vai estrear este ano a série “Desnorte”, série inspirada na vida de Sara Norte. Na comédia, Fernando Rocha protagoniza a série “Máximo Risco”.

Entretenimento, informação e agenda de eventos
No fim de semana, a estação estreou “Talentos em Grande” aos sábados e, a partir de 4 de outubro, “Os Reis da Tarde” aos domingos, com João Baião e júri encabeçado por Júlio Isidro — que assim regressa à televisão e estreia na SIC, Patrícia Tavares e Áurea. Continuam em antena “Casados à Primeira Vista” e “Isto É Gozar com Quem Trabalho”, e a estação promete para 2027 o regresso do “Family Feud”.
Na informação, destacam-se duas novas rubricas — “Sangue Azul”, com Sofia Pinto Coelho, e um espaço de Conceição Lino sobre quem vive com as decisões políticas. Na SIC Notícias, destaque para novos espaços de comentário, um programa sobre justiça e poder na era da Inteligência Artificial, e entrevistas a “grandes figuras do país” conduzidas por Maria João Avilez ao domingo à noite.
No calendário de eventos, a SIC teve presença este ano em 13 grandes festivais de música, prepara a gala dos Globos de Ouro — 30.ª edição, a 26 de setembro, com nomeados ao Prémio Revelação já conhecidos — e o regresso do Tribeca Festival Lisboa, entre 9 e 13 de dezembro.
Mais desporto à vista?
Além da transmissão conjunta com a TVI e RTP no Mundial, a SIC transmitiu recentemente vários jogos do Benfica na fase de qualificação da Liga Europa. Sobre a estratégia desportiva, Daniel Oliveira afirma que a SIC procura “ter desporto que seja relevante para o grande público”
O mapa do desporto nos ecrãs para a época 2026/27
“O futebol, por maioria de razão, é o desporto por excelência que chega ao maior número de pessoas. Não estaremos de fora de boas oportunidades desde que elas sejam interessantes, tenham enquadramento orçamental e que, em dado momento, seja possível trazê-las à antena da SIC, até porque chegam a diferentes públicos.” Para o diretor, o desporto ao vivo é uma das poucas áreas que a inteligência artificial, “pelo menos num horizonte que venhamos a vislumbrar, não vai tocar” — continuará “tão vivo e tão genuíno como sempre foi”. No caso da SIC, têm “muito interesse em desporto, mas com ponderação”.
A Impresa, dona da SIC, fechou os primeiros seis meses do ano com um resultado negativo de 3,4 milhões de euros. Apesar de no vermelho, o número traduz uma melhoria de 32,4% na comparação com o período homólogo.




