
O Benfica District está na fase do “quase, quase licenciamento” e os encarnados esperam que a Câmara de Lisboa aprove o projeto “muito rapidamente”, porque “o tempo já começa a urgir”, adianta Nuno Catarino, vice-presidente e administrador financeiro da Benfica SAD, em entrevista ao ECO.
Com um custo de 220 milhões de euros, acrescidos de 75 milhões para a expansão do Estádio da Luz, o responsável pelas finanças dos encarnados considera que encontrar financiadores para o projeto “vai ser a parte mais fácil”. “Há muito interesse neste projeto. É um projeto que tem uma capacidade de geração de receita bastante sólida, está associado a uma marca forte e a uma parte imobiliária que está bastante perto do centro da cidade”, explica.
“O Benfica é um produto do povo e queremos que continue”
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Nuno Catarino afasta a necessidade de abrir o capital da Benfica Estádio, responsável pelo projeto, pelo menos “nesta fase”. Ainda assim, revela que está à procura de parceiros de naming não só para o estádio mas também para a nova arena de 10 mil lugares.
Em que ponto é que se encontra o projeto Benfica District?
Estamos naquela fase do quase, quase, quase licenciamento. Estamos a falar de um projeto que tem de receber pareceres de não sei quantas entidades internas e externas à câmara. Há sempre coisas que temos de responder e estamos já no segundo e terceiro round de respostas, à espera de que o projeto possa ser aprovado muito rapidamente, até porque o tempo já começa a urgir. Para que o projeto avance, temos de ter todas as condições de licenciamento.
Não temos falado muito sobre isso porque é um trabalho muito técnico. Estamos com um trabalho mesmo muito técnico. Há sempre coisas incontornáveis, são pedidos e as entidades, as entidades públicas são soberanas, mas pedem mais isto, mais aquilo, temos de estudar mais isto, estudar mais aquilo, submeter o pedido, pedem alterações, e é um projeto que desperta muita atenção e acho que as pessoas apreciam o projeto…
Sente que há um maior escrutínio?
Não consigo dizer se há um maior escrutínio, mas acho que as pessoas têm consciência da importância do projeto. O projeto é visto como positivo, mas as leis continuam a ser as leis, os regulamentos continuam a ser os regulamentos, e continuam a pedir tudo aquilo que é possível pedir, inclusivamente pedem coisas que ainda não são para esta fase.
Já encontraram financiadores? Como é que a parte do project finance?
A parte de financiadores é a parte que eu acho que vai ser mais fácil, porque há muito interesse neste projeto. É um projeto que tem uma capacidade de geração de receita bastante sólida, porque está associado a uma marca forte, está associado a uma parte imobiliária que está bastante perto do centro da cidade e vai permitir dotar a própria cidade de várias infraestruturas que até fazem falta à cidade, por exemplo, a arena de 10 mil lugares, só para dar aqui um exemplo.
E depois isto acaba tudo numa sinergia à volta da marca Benfica, por isso é um projeto que é muito fácil de explicar.

Quando chegar a essa fase, o Benfica não vai ter problema?
Na verdade, já estamos a discutir.
Já fecharam algum acordo?
Não, não fechámos nenhum acordo. Só faz sentido fechar depois do licenciamento.
Já há alguma coisa apalavrada?
O interesse é tanto, e já falámos com todas as entidades, não precisamos disso. Se fosse alguma coisa mais incerta já tínhamos puxado um pouquinho mais para ter alguma intenção mais firme de algum banco ou de algum grupo de financiadores. Mas nesta fase estamos confortáveis.
220 milhões era o custo inicial, mantém-se essa previsão ou por causa deste cenário de inflação vai mudar?
O cenário não mudou, não mudou ainda. São 220 milhões para o distrito, são mais 75 milhões para a expansão do estádio, só para sermos precisos. Nesta fase ainda não há razão para revermos.
Há coisas que já estão muito fechadas e nós já temos bastante segurança nos valores, até porque essas que sabemos da parte da câmara não vão mudar, e estamos muito dentro dos parâmetros, umas acima, outras ligeiramente abaixo, ainda estamos dentro dos parâmetros iniciais. Se houver alguma diferença, lá chegaremos.
Admitem a entrada de algum parceiro na SAD para ajudar a financiar este projeto? Ou então ceder o naming de alguma destas infraestruturas para apoiar?
Faz parte da estratégia avançar com naming de partes do projeto. A arena terá o naming, seguramente. Há bastante tempo procuramos o naming para o estádio e já estivemos bastante perto de fechar o naming. Estamos à procura de parceiros também para isso.
Agora, a parte de trazer investidores para a SAD, não vemos necessidade. Não vemos necessidade de todo, até porque o projeto nesta fase não é da Benfica SAD, o projeto é da Benfica Estádio, que é detida pelo clube. É um projeto do Benfica, certo, mas é um projeto da Benfica Estádio. Obviamente, a Benfica SAD é uma parte integrante do projeto é o principal utilizador a vários níveis.
E parceiros para a Benfica Estádio?
Também não, também não nesta fase. Não temos visto necessidade de seguir para essa via. Estamos a seguir uma via bastante conservadora pela qualidade do projeto e o que temos sentido é que a qualidade do projeto é suficiente para ele se autofinanciar.




