
O Ministério da Educação confessa “preocupação” com os resultados dos resultados do PISA 2025, mas descarta responsabilidades políticas no agravamento das aprendizagens.
Alexandre Homem Cristo, que tomou posse pela primeira vez como secretário de estado do ministro da Educação Fernando Alexandre em abril de 2024, apenas um ano antes da realização das provas do em 225 escolas portuguesas, diz-se responsável por encontrar soluções que invertam a tendência de declínio até 2029.
“Estes resultados do ponto de vista da política pública, não estão diretamente ligados ao período deste Governo. Isto não significa que o Governo não se sinta responsável por encontrar soluções”, afirmou, citado pela agência Lusa, esta terça-feira de manhã, 8, a propósito dos resultados do PISA 2025 – Programme for Interacional Student Assessment para Portugal.
O estudo envolveu mais de 760 mil alunos de 91 países e economias, entre os quais quase sete mil portugueses de 15 anos.
Os alunos portugueses obtiveram 462 pontos a Leitura, oito pontos abaixo do resultado da prova realizada em 2000, numa escala em que 500 pontos correspondem à média de referência da OCDE. A Matemática, Portugal obteve 460 pontos, recuando a valores próximos de 2003, quando teve 466 pontos.
No mapa geral, Portugal surge em 29.º lugar a Ciências, 26.º a Leitura e 30.º a Matemática.
“Estamos a falar de resultados que são históricos, mas no sentido negativo”, considerou o secretário de Estado Adjunto e da Educação, salientando que o declínio ocorreu nas três disciplinas avaliadas e que os serviços do ministério estão “preocupados e atentos”.
“Já tínhamos sinais de que havia esta necessidade, naturalmente não deixa de ser impactante consultar os resultados da OCDE”, reconheceu.
Segundo contas da OCDE, a redução dos conhecimentos representa já pelo menos a perda de um ano de aprendizagens.
O Ministério da Educação quer os alunos portugueses acima da média da OCDE na próxima edição do PISA, em 2029, ciclo que, segundo o secretário de Estado, já poderá avaliar as políticas da atual equipa governativa.
Entre as medidas em curso na área da Leitura, Alexandre Homem Cristo apontou o investimento em bibliotecas para o 1.º ciclo, o diagnóstico de fluência leitora e um novo programa de formação em didática do ensino da leitura para professores, “que está a ser preparado pelo EduQA” (Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação).
Na perspetiva do governante, o impacto da pandemia de Covid-19 nestes jovens, então ainda no 1.º ciclo, e a crescente dificuldade de concentração em tarefas que exigem maior esforço ajudam as explicar as causas do fracasso.
Por contraponto defende maior diversidade pedagógica, através da revisão do currículo e das aprendizagens essenciais, permitindo aos professores adaptar os recursos às necessidades de cada aluno e estimular aqueles com maior potencial.
Alexandre Homem Cristo também disse, citado pela Lisa, que a falta de professores e técnicos, penaliza os alunos, mas rejeitou que o reforço de meios, por si só, seja suficiente para melhorar os resultados. O desempenho depende também do funcionamento das escolas, do currículo, dos processos de avaliação e da utilização dos diagnósticos para identificar dificuldades e orientar respostas adequadas.




