O Governo Meloni cumpre hoje 1.417 dias consecutivos em funções na chefia da Itália e fixa um inédito recorde de longevidade na história da República Italiana, ultrapassando a marca do segundo executivo de Silvio Berlusconi. A efeméride é assinalada pela primeira-ministra em Bari, num comício sob forte aparato de segurança, no qual os líderes parceiros de coligação participam apenas por via remota, numa fase marcada por divisões políticas internas e críticas da oposição parlamentar.
Empossada a 22 de Outubro de 2022, Giorgia Meloni consolidou a posição de primeira mulher a chefiar um executivo italiano tornando-se agora a governante com mandato contínuo mais extenso desde o pós-guerra. Na celebração organizada pelo Fratelli d’Italia na cidade costeira de Bari, aguarda-se uma afluência de cerca de 10 000 apoiantes, em paralelo com manifestações de protesto convocadas por associações civis para as 17h30, sob estrita vigilância policial.
Indicadores económicos do Governo Meloni e balanço oficial
Na apresentação das contas dos quatro anos de mandato, o executivo divulgou um relatório intitulado «Mais estabilidade para uma Itália mais forte». O documento destaca a criação de mais de um milhão de postos de trabalho, uma taxa de desemprego fixada em 5,8 por cento, mínimos históricos no desemprego jovem e uma descida de 16 por cento na criminalidade geral face a 2014. No sector financeiro, Roma salienta a redução sustentada do défice e do diferencial da dívida soberana, prevendo ainda um orçamento para a saúde de quase 143 mil milhões de euros até 2026 e 10 000 novas vagas no sistema prisional até 2027.
Em mensagem pública, a governante sustentou que a longevidade decorre da convergência de valores do centro-direita: «A estabilidade constrói-se quando uma aliança partilha valores, e não apenas para impedir outros de governar». Todavia, Meloni reconheceu perante as bases que «é possível fazer mais» nos domínios da segurança pública e da política tributária nacional.
Fissuras na coligação e críticas da oposição
A celebração reflecte também o distanciamento entre os membros da aliança de direita. Antonio Tajani, vice-primeiro-ministro e líder do Forza Italia, e Matteo Salvini, líder da Liga, recusaram a deslocação física a Bari, intervindo apenas através de videoconferência. O desagrado na Liga intensifica-se com a recente fuga de votos para o movimento do general Roberto Vannacci, num contexto de desgaste sobre o apoio militar à Ucrânia, rejeitado pelos sectores radicais da base nortenha.
No plano internacional, o Financial Times assinala que a estabilidade não se traduziu em reformas estruturais profundas na economia, na administração pública ou na protecção social. Do lado da oposição, Elly Schlein, secretária-geral do Partido Democrático, classificou estes quatro anos como «desperdiçados» num executivo fechado no palácio, enquanto Giuseppe Conte, líder do Movimento 5 Estrelas, denunciou a ausência de soluções para os salários estagnados. As próximas eleições gerais permanecem agendadas para 2027, embora o parlamento pondere a antecipação do calendário eleitoral.
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