Putin pede fortalecimento da estabilidade interna e da solidez do aparelho de Estado da Federação Russa perante os candidatos do partido governamental, este fim-de-semana, no Palácio do Kremlin, em Moscovo. O apelo surge a exactas duas semanas da ida às urnas para a Duma Estatal (parlamento), marcada para 20 de Setembro, momento crucial em que o Kremlin procura revalidar a maioria constitucional de dois terços no parlamento, no meio de pressões económicas decorrentes do conflito armado e de um visível desgaste social.
A declaração ocorreu durante um encontro directo com os principais rostos da lista eleitoral do Rússia Unida, força partidária que o chefe de Estado lidera na campanha pela primeira vez desde 2007, sob o lema «Todos pela Vitória». Na intervenção perante as figuras da candidatura governamental, o líder russo foi taxativo quanto à disciplina institucional que espera ver executada: «Devemos fortalecer a situação política interna, a solidez do Estado russo e, apesar de todas as dificuldades e ameaças que continuamente recebemos, seguir o caminho do fortalecimento da Rússia em conformidade com a Constituição», declarou Vladimir Putin.
Putin pede fortalecimento e segurança fronteiriça
O governante sublinhou a urgência de manter a coesão nacional para assegurar suporte total aos contingentes militares destacados na Ucrânia, enfatizando a necessidade premente de proteger o solo russo face à intensificação das incursões de drones ucranianos. Para mitigar estas vulnerabilidades militares, o chefe de Estado anunciou que instruirá o Ministério da Defesa a analisar e aplicar de forma generalizada os métodos tácticos recolhidos na província fronteiriça de Kursk.
No mesmo acto político, o líder dirigiu votos de êxito aos elementos de proa da candidatura: o presidente da câmara de Moscovo, Serguei Sobyanin; o ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov; a comissária para os direitos da criança, Maria Lvova-Belova; o correspondente de guerra Yevgeny Poddubny e o responsável da organização juvenil de cariz patriótico, Vladislav Golovin.
A agenda do estadista prevê ainda contactos com delegações internacionais. O Kremlin agendou uma ronda negocial com os enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, mandatados pelo Presidente Donald Trump para sondar alternativas com vista a desbloquear conversações sobre o conflito. O encontro ocorre numa altura em que dados demoscópicos do prestigiado instituto independente Centro Levada revelam que 59 por cento dos cidadãos russos preconizam o arranque expedito de negociações de paz, enquanto apenas 31 por cento continuam a defender o prolongamento das operações bélicas activas.
Desgaste eleitoral e afastamento da oposição
Apesar do controlo apertado do aparelho estatal, a erosão do índice de confiança pública atinge a cúpula do poder. O cansaço generalizado com o esforço de guerra, os bloqueios cibernéticos e os estrangulamentos na distribuição de combustíveis provocaram uma quebra superior a 13 pontos na popularidade do governante nos últimos meses — um recuo comparável ao impacto da contestada reforma das pensões executada em 2018.
O Rússia Unida oscila em redor de 35 por cento de intenções de voto nas sondagens oficiais, ainda que projecções de órgãos de comunicação independentes apontem para uma preferência real de pouco mais de 20 por cento do eleitorado. Paralelamente, o sistema judicial afastou da corrida a formação liberal Yabloko, o único partido legal a preconizar a paz na Ucrânia, indeferindo listas proporcionais e candidaturas uninominais, culminando na detenção de dois dirigentes daquela força política na capital.
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