Uma antiga pedreira romana, até agora conhecida apenas através de referências à sua possível existência, foi identificada no interior de uma pedreira de mármore no concelho de Vila Viçosa. A descoberta está a ser considerada de “muito interesse” e motivou esta quarta-feira uma reunião técnica destinada a avaliar a importância dos vestígios e as medidas necessárias à sua preservação.
O encontro realizou-se em Vila Viçosa, a convite do Centro de Estudos CECHAP, e reuniu representantes de várias entidades ligadas ao património, à arqueologia, à geologia e ao desenvolvimento regional. Entre os participantes estiveram o vice-presidente da CCDR Alentejo, Eng. Henrique Sim-Sim, técnicos superiores da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), arqueólogos da Universidade de Évora e representantes da Câmara Municipal de Vila Viçosa.
“Sabíamos da existência de uma pedreira romana, mas ainda não a tínhamos encontrado” acrescentou o edil. O presidente da Câmara Municipal de Vila Viçosa, Inácio Esperança, destacou a relevância da descoberta e lembrou que a presença de vestígios arqueológicos associados à exploração do mármore não constitui uma novidade no concelho.
“Em Vila Viçosa os achados arqueológicos não são novidade”, afirmou o autarca, recordando a descoberta, na zona das pedreiras da Lagoa, de uma “pedreira romana completa onde ainda há vestígios de exploração”. Inácio Esperança referiu igualmente a existência de outro achado na zona de São Marcos, em Pardais, sublinhando que o novo vestígio constitui também “um vestígio importante”.
Apesar de a existência de uma pedreira romana naquela área já ser conhecida através do trabalho desenvolvido pelo geólogo e professor da Universidade de Évora Luís Lopes, a dimensão e as características do espaço agora identificadas só ficaram mais claras na sequência dos trabalhos realizados no local. “Sabíamos da existência de uma pedreira romana mas ainda não a tínhamos encontrado”, salientou o presidente da Câmara.
Perante a descoberta, o Município de Vila Viçosa pretende começar por avaliar a importância e o valor patrimonial dos vestígios antes de avançar para um processo de proteção. “O primeiro passo será avaliar a sua importância e depois o Município, em primeiro lugar, deverá pedir a declaração de interesse municipal e, a partir daí, ver a possibilidade de outros tipos de classificação”, explicou Inácio Esperança.
A reunião técnica procurou precisamente juntar diferentes áreas de conhecimento e entidades com responsabilidade na matéria, de forma a determinar a relevância do achado e definir uma estratégia para o futuro do espaço.
Para o presidente da autarquia, a preservação dos vestígios deve ser uma prioridade, não apenas pelo seu valor para o concelho, mas pelo significado histórico mais amplo. “Preservar porque se trata de um bem da humanidade e não apenas de Vila Viçosa” é uma das prioridades assumidas pelo Município.
A autarquia pretende também estudar a possibilidade de museografar o espaço, permitindo que o público possa conhecer diretamente os vestígios e compreender como era feita a exploração do mármore na época romana. A intenção passa ainda por procurar formas de garantir recursos para a manutenção do local, numa fase posterior à sua eventual valorização patrimonial.
A preservação do espaço coloca, contudo, um desafio particular: os vestígios encontram-se no interior de uma pedreira onde existe atualmente atividade de exploração. O próprio presidente da Câmara reconhece que não será um processo simples, sendo necessário encontrar uma solução que permita compatibilizar a proteção do património arqueológico com a atividade existente no local.
A descoberta coloca, assim, em cima da mesa a necessidade de articular diferentes interesses, garantindo que um testemunho relevante da exploração do mármore na Antiguidade possa ser preservado sem ignorar a realidade atual da indústria extrativa. No local é possível observar vestígios que permitem perceber como era realizada a exploração do mármore naquela época.
A leitura destes elementos poderá contribuir para aprofundar o conhecimento sobre as técnicas utilizadas pelos romanos na extração da pedra e sobre a importância que o território atualmente ocupado pelo concelho de Vila Viçosa assumia na exploração e circulação do mármore. A expectativa é de que o material extraído destas pedreiras tivesse como destino importantes centros urbanos da época, nomeadamente Mérida e Évora, reforçando a importância estratégica desta atividade no contexto regional.
A descoberta surge, assim, como mais uma peça para compreender a longa relação de Vila Viçosa com a exploração do mármore — uma atividade que atravessa séculos e que continua a marcar profundamente a identidade e a economia do concelho. O próximo passo será avaliar em maior detalhe a dimensão e importância dos vestígios e definir o caminho para a sua proteção. Entre a exploração contemporânea do mármore e as marcas deixadas pelos trabalhadores de há quase dois mil anos, Vila Viçosa enfrenta agora o desafio de preservar um património que poderá ajudar a contar uma parte importante da história da região.
O conteúdo Mármore revela tesouro arqueológico: Vila Viçosa quer “preservar e museografar pedreira romana” aparece primeiro em Rádio Campanário.




