Будущее не строится без молодёжиФото: Domingos Henriques на Pexels
Экономика

Будущее не строится без молодёжи

Eco3 сентября 2026 г. в 01:30

Португалия сталкивается с трудовым противоречием: компании заявляют о нехватке работников, в то время как безработица среди молодёжи остаётся на уровне 18,4% в возрастной группе от 16 до 24 лет, что значительно превышает национальный показатель в 5,6%. Статья отстаивает позицию, что молодёжь необходима для обновления организаций и передачи знаний между поколениями, но предупреждает, что привлечь молодых людей недостаточно — необходимо обеспечить справедливую оплату труда, перспективы карьерного роста и стабильность. Согласно прогнозам Eurostat, к 2050 году численность населения в трудоспособном возрасте сократится на 21%, поэтому страна не может позволить себе растрачивать таланты. Подготовка молодёжи представлена как инвестиция, а не расход, и необходимо более тесное сотрудничество между профессиональными организациями, предприятиями и учебными заведениями для информирования студентов о существующих возможностях и удержания специалистов, в которых Португалия нуждается.


Portugal vive uma contradição que deveria preocupar-nos mais do que preocupa. Muitas empresas afirmam não conseguir encontrar trabalhadores, mas o desemprego jovem continua muito acima da média nacional. Segundo o INE, em dezembro de 2025, a taxa de desemprego situava-se nos 5,6%, mas atingia 18,4% entre os jovens dos 16 aos 24 anos. Não faltam apenas trabalhadores. Falta-nos, também, capacidade para integrar, formar e reter uma geração indispensável ao futuro das empresas e do país.

Há décadas que repetimos que os jovens são o futuro. Talvez esteja na altura de percebermos que são também o presente. Cada jovem que não encontra uma oportunidade para iniciar o seu percurso profissional representa talento que fica por desenvolver, conhecimento que não se transforma em valor e, demasiadas vezes, uma razão adicional para procurar noutro país aquilo que não encontrou em Portugal.

A entrada de jovens renova as organizações. Traz novas competências, novas perspetivas e uma maior proximidade às tecnologias emergentes, hoje essenciais num contexto de mudança permanente. Mas essa renovação não deve significar substituição. Deve significar encontro entre gerações. A experiência dos profissionais mais velhos e a capacidade de adaptação dos mais jovens não são realidades concorrentes. São complementares.

É desse diálogo que nasce a verdadeira transmissão de conhecimento: quando a experiência ensina aquilo que os manuais não conseguem transmitir e as novas gerações desafiam práticas que já não respondem às exigências do presente. É assim que o conhecimento se preserva, evolui e continua a gerar valor.

A revisão oficial de contas e auditoria não está à margem deste desafio. A digitalização, as novas exigências em matéria de sustentabilidade e a crescente utilização da inteligência artificial estão a transformar profundamente a profissão. Precisamos de jovens preparados para esta nova realidade, mas precisamos igualmente de profissionais experientes que lhes transmitam os princípios, a independência, o sentido crítico e o rigor que estão na essência da atividade. A tecnologia pode transformar os instrumentos da profissão. Não substitui, porém, a responsabilidade do julgamento humano.

Atrair jovens é apenas o primeiro passo. Para que fiquem, têm de encontrar salários justos, perspetivas de progressão e condições que lhes permitam construir uma carreira e um projeto de vida. Não faz sentido exigir experiência a quem nunca teve oportunidade de a adquirir, nem pedir compromisso sem oferecer estabilidade, acompanhamento e perspetivas de crescimento.

Formar quem está a começar não é um custo. É um investimento. É preparar hoje os profissionais de que as organizações vão precisar amanhã. Quando essa oportunidade não existe em Portugal, muitos jovens acabam por procurá-la noutro país. E, cada vez que um jovem qualificado parte, porque não encontrou espaço para crescer no seu próprio país, Portugal perde duas vezes: perde o investimento que fez na sua formação e perde uma parte da capacidade de renovar a sua economia.

O envelhecimento da população torna esta questão ainda mais urgente. Um relatório divulgado pelo IEFP, com base em projeções do Eurostat, aponta para uma redução de 5,2% da população portuguesa em idade ativa até 2030. Em 2050, essa quebra poderá chegar aos 21%. Teremos menos pessoas disponíveis para trabalhar. Isso significa que não podemos dar-nos ao luxo de desperdiçar talento.

A renovação das profissões essenciais à economia não acontece por acaso. Exige planeamento, abertura e capacidade para criar pontes entre o sistema educativo e o mercado de trabalho. Essa aproximação não pode começar apenas no momento do recrutamento. As ordens profissionais, as empresas e as instituições de ensino têm de trabalhar em conjunto para dar a conhecer as diferentes profissões aos estudantes. O contacto com a realidade profissional permite escolhas mais informadas e pode despertar o interesse de jovens que ainda desconhecem as oportunidades existentes.

O mesmo desafio coloca-se noutras áreas onde faltam profissionais. A simples existência de vagas não torna uma profissão atrativa. É preciso perceber porque faltam pessoas, que condições são oferecidas e que futuro é possível construir dentro dessas carreiras. A retenção de talento depende de políticas públicas capazes de responder aos desafios demográficos e económicos do país. Depende das empresas, da forma como recebem, acompanham e valorizam quem está a começar. E depende também de uma mudança cultural: deixar de olhar para os jovens como profissionais incompletos e passar a vê-los como pessoas em formação, nas quais vale a pena investir.

Contratar jovens renova as organizações, formá-los fortalece-as e conseguir que fiquem protege o futuro das profissões e do país, porque nenhuma organização, nenhuma profissão e nenhum país conseguem preparar o futuro se não forem capazes de dar uma oportunidade a quem vai vivê-lo.

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