Муниципальный совет Каштелу-Бранку под руководством Леополду Родригиса представил проект реструктуризации, возрождения и модернизации Городского рынка, который включает торговлю, культуру, услуги, мероприятия и временное жильё для студентов на первом этаже. Объявленные инвестиции на исследования и проектирование составляют 215 800 евро без учёта НДС. Автор признаёт, что Городской рынок нуждается в глубоком вмешательстве, но ставит под сомнение отсутствие чёткого предназначения для этого объекта.
Автор предупреждает, что размещение студентов в том же здании может создать напряжённость с торговой деятельностью из-за шума, передвижений, погрузки и разгрузки, запахов и продолжительного режима работы. Он утверждает, что в городе есть альтернативы для студенческого жилья, такие как существующая застроенная территория, пустующие здания и районы, нуждающиеся в населении. Он предлагает, чтобы эти потребности могли быть удовлетворены путём городской регенерации в других местах.
В статье предлагается, чтобы Городской рынок превратился в крытую городскую площадь, посвящённую продуктам Бейра-Байша, с ресторанами, местной торговлей, производителями, региональной гастрономией, культурой и регулярной программой мероприятий. Автор приводит в качестве примеров рынки Алжеша и Кампу-де-Орики в Лиссабоне, которые развились за пределы традиционной торговли, не теряя своей идентичности. Он утверждает, что рынку нужна сильная идентичность и чёткая причина для привлечения людей.
Автор заключает, что муниципальный совет должен объяснить и публично обсудить своё видение Городского рынка, подчёркивая, что речь идёт не о том, чтобы быть против Леополду Родригиса, против студентов или против модернизации, а о требовании стратегии для города. Он призывает направить инвестиции на то, чтобы вдохнуть жизнь в рынок с собственной идентичностью, вместо создания ещё одного многофункционального здания без чёткого видения.
Há decisões políticas que merecem discussão. Há outras que exigem uma pergunta frontal: qual é, afinal, a visão que existe para Castelo Branco?
O projeto de reestruturação, revitalização e modernização do Mercado Municipal, apresentado pelo Executivo liderado por Leopoldo Rodrigues, é demasiado importante para ser recebido apenas com a linguagem confortável dos comunicados oficiais. Fala-se em modernização, sustentabilidade, comércio de proximidade, cultura, serviços, habitação e centralidade urbana. Tudo palavras certas. Mas uma cidade não se transforma pela soma de palavras certas. Transforma-se pela qualidade das escolhas.
E é precisamente aí que começa a minha inquietação.
Ninguém contesta que o Mercado Municipal precisa de uma intervenção profunda. Pelo contrário. O edifício merece investimento, dignidade, modernização e uma nova vida. O que merece ser discutido é a vida que queremos dar-lhe.
Porque transformar um mercado num espaço onde cabem comércio, cultura, serviços, eventos e habitação temporária pode parecer, à primeira vista, uma solução moderna e multifuncional. Mas pode também ser simplesmente a consequência de não se ter definido, com clareza, uma vocação.
Um mercado não deve ser um edifício onde cabe tudo. Deve ser um lugar que significa alguma coisa para a cidade.
E o Mercado Municipal poderia significar muito.
Poderia ser uma verdadeira praça urbana. Uma praça coberta, viva, aberta, dinâmica, com comércio, restauração, produtos regionais, gastronomia, artesanato, cultura e eventos. Poderia ser um lugar de encontro entre os albicastrenses, os produtores locais, os comerciantes, os estudantes e quem visita a cidade.
Basta olhar para experiências como Algés ou Campo de Ourique, em Lisboa, para perceber que um mercado municipal pode evoluir muito para além da venda tradicional sem perder a sua identidade. A restauração, as bebidas, os produtos locais e a convivência podem transformar um equipamento municipal num verdadeiro destino urbano.
Castelo Branco não precisa de copiar Lisboa.
Precisa de aprender com aquilo que resulta.
E tem condições próprias para construir um modelo seu.
As lojinhas viradas para a rua, com produtos artesanais, enchidos e queijos, já mostram uma possibilidade. Existe ali uma identidade gastronómica e comercial que poderia ser muito mais valorizada. Porque não transformar o mercado numa referência dos produtos da Beira Baixa? Porque não criar uma verdadeira praça de sabores, com restauração, comércio local, produtores, gastronomia regional, cultura e programação regular?
Isso seria revitalização.
Isso seria criar centralidade.
Isso seria dar uma razão para as pessoas irem ao mercado.
A opção de instalar estudantes no primeiro andar levanta, por isso, uma questão legítima e séria.
Castelo Branco precisa de alojamento estudantil. Naturalmente.
Mas a necessidade de alojamento não transforma automaticamente o Mercado Municipal no local adequado para o criar.
Há uma diferença enorme entre resolver um problema e escolher o lugar certo para o resolver.
Um mercado vivo tem ruído, circulação, cargas e descargas, cheiros, restauração, horários alargados e eventos. Tudo isso é desejável quando se pretende recuperar a vitalidade de um mercado. Mas tudo isso pode entrar em tensão com a habitação instalada no mesmo edifício.
E a cidade tem alternativas.
Tem património.
Tem edifícios devolutos.
Tem zonas que precisam de população.
Tem ruas que precisam de comércio.
Tem imóveis que poderiam ser recuperados para alojamento de estudantes e jovens profissionais.
Por que não transformar essa necessidade numa oportunidade de regeneração urbana?
Por que não recuperar edifícios vazios e devolver-lhes habitantes?
Por que não levar estudantes para o centro e, ao mesmo tempo, recuperar património?
Isso seria pensar Castelo Branco como uma cidade inteira, e não como uma sucessão de edifícios isolados.
É aqui que a expressão “espaço multifuncional” merece algum cuidado.
A multifuncionalidade pode ser uma virtude quando existe uma estratégia. Sem estratégia, pode ser apenas uma forma sofisticada de dizer que não se quis escolher.
Comércio, cultura, serviços e habitação podem coexistir. Mas coexistir não significa necessariamente fazer sentido.
Uma cidade inteligente distribui funções de acordo com a vocação dos lugares.
O mercado deve reforçar o mercado.
A habitação deve recuperar edifícios habitacionais.
A cultura deve ocupar e dinamizar espaços culturais.
O comércio deve criar ruas vivas.
E os equipamentos municipais devem ser pensados em articulação uns com os outros.
Não é necessário transformar um único edifício na resposta para todos os problemas.
É necessário construir uma estratégia para a cidade.
O investimento anunciado para os estudos e projetos — 215.800 euros, acrescidos de IVA — torna esta discussão ainda mais importante. O dinheiro público obriga a responsabilidade pública. E uma intervenção desta dimensão merece uma discussão à altura da importância do equipamento.
Os albicastrenses têm o direito de perguntar quais foram as alternativas estudadas, por que razão se optou pela habitação naquele local, como será assegurada a compatibilidade entre residentes e atividade comercial e qual é, afinal, a estratégia económica para garantir que o mercado terá comerciantes, clientes e vida.
Porque há um perigo que não pode ser ignorado:
o perigo de fazer uma grande obra e não fazer uma grande transformação.
Pode-se renovar o edifício.
Pode-se modernizar as câmaras frigoríficas.
Pode-se melhorar a iluminação.
Pode-se reorganizar os espaços.
Pode-se criar salas.
Pode-se criar residências.
E, no final, continuar a faltar aquilo que verdadeiramente dá vida a um mercado: uma identidade forte e uma razão para as pessoas lá irem.
Castelo Branco não precisa de mais um equipamento público indefinido.
Precisa de ambição.
Precisa de comércio.
Precisa de restauração.
Precisa de cultura.
Precisa de produtos locais.
Precisa de movimento.
Precisa de recuperar o centro.
E precisa de uma política urbana capaz de olhar para os edifícios devolutos, para o património abandonado e para as zonas que estão a perder população antes de decidir concentrar novas funções num equipamento que já possui uma vocação natural.
O Mercado Municipal pode ser uma das grandes oportunidades desta legislatura.
Mas só será uma oportunidade se houver uma ideia clara para ele.
Não basta remodelar paredes. É preciso saber que cidade queremos encontrar quando essas paredes estiverem renovadas.
A Câmara Municipal pode ainda demonstrar que existe essa visão. Deve explicá-la, defendê-la e submetê-la ao debate público.
Porque isto não é uma questão de ser contra Leopoldo Rodrigues.
Não é uma questão de ser contra os estudantes.
Não é sequer uma questão de ser contra a modernização do mercado.
É uma questão muito mais simples e muito mais séria:
Castelo Branco merece que uma obra desta dimensão seja pensada com visão, e não apenas com funções.
O Mercado Municipal poderia ser a grande praça gastronómica, comercial e cultural da cidade. Poderia dar força aos produtores locais. Poderia criar novas oportunidades para o comércio. Poderia trazer visitantes. Poderia prolongar a vida do centro urbano. Poderia tornar-se um espaço de encontro e orgulho para Castelo Branco.
É essa ambição que se exige.
Porque, quando se investem centenas de milhares de euros num projeto e se prepara uma intervenção profunda num dos equipamentos mais simbólicos da cidade, não basta perguntar “o que podemos pôr lá dentro?”
A pergunta verdadeiramente importante é outra:
“O que queremos que Castelo Branco seja?”
E se a resposta continuar a ser uma coleção de funções dentro do mesmo edifício, então o problema não estará apenas no Mercado Municipal.
Estará na ausência de uma visão para a própria cidade.
Castelo Branco não precisa de um mercado que seja tudo.
Precisa de um mercado que seja alguma coisa — e que seja grande, forte e verdadeiramente seu.
Porque revitalizar não é ocupar.
Revitalizar é dar vida.
E uma cidade que ainda tem tanto património por recuperar, tantos edifícios devolutos por ocupar e tantas zonas por dinamizar não pode desperdiçar uma das suas melhores oportunidades a fazer apenas mais um edifício multifuncional.
O Mercado Municipal merece mais. Castelo Branco merece muito mais.
Fernando Jesus Pires,
Jornalista CP-Nacional, CP-Internacional, Diretor do jornal independente OREGIÕES
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