В статье резко критикуется освещение газетой Diário de Notícias парома, связывающего континент с Мадейрой, с
Наступление газеты Diário do Sousa на паром
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Fica claro como o DN, em contactos a cada um, compõe depois a participação de muitos na narrativa do senhor Sousa. É assim que se manipula, parecem as fotografias de campanha eleitoral em que o candidato encosta, o fotógrafo tira a foto e todos passam a ser apoiantes. Andam todos a ser levados pela certa com a sua vaidade, aparecem no sistema e participam nele.
Na primeira página, o destaque é intencionalmente alarmista, «MELHOR CENÁRIO DO FERRY TERIA DÉFICE DE 18,59 MILHÕES». O leitor que apenas passa os olhos pela banca fica imediatamente programado com o dogma do costume, o ferry é insustentável, inviável e uma loucura financeira. O Diário sabe que não é lido? Ou sabe do vício de tantos madeirenses?
Ao folhear para as páginas centrais (páginas 6 e 7), a manchete é ainda mais perentória, «APENAS 32% EMBARCAM», acompanhado por uma citação em destaque gigantesco (quote box) destinada a selar o veredicto político
A ausência de uma verdadeira falha de mercado (...) torna questionável a própria justificação da imposição de uma obrigação de serviço público.
Trata-se do desmantelamento metódico do próprio conceito de continuidade territorial. Quando se fala de transporte rodoviário, aéreo ou marítimo para regiões insulares, o debate num Estado de Direito soberano baseia-se no direito de mobilidade dos cidadãos e na quebra de monopólios. Mas para a linha editorial do matutino, a coesão territorial passa a ser tratada como um mero "capricho dispendioso".
O detalhe escondido, a auscultação a um único armador, por vontade dos autores do estudo ou pelo descrédito da Região e das entidades com longos anos de novela de ferry que acaba sendo sempre para matá-lo e manter intocável o monopólio do senhor Sousa, proprietário do Diário de Notícias.
No meio de um mar de números negativos, tabelas e gráficos desenhados para desacreditar a operação marítima, surge um pequeno caixa de texto na página 6, assinado por João F. Pestana, que desmascara todo o aparato, «RELATÓRIO SÓ CONSEGUIU OUVIR UM ARMADOR». Não pensou mais além?
O Grupo Sousa foi o único armador ouvido no estudo, a 25 de Março. O relatório identifica 4 outros armadores — Grupo ETE, Grimaldi, Baleària e FRS Portugal — para auscultação, mas diz que 'não se obteve resposta ou não foi possível o contacto'.
Este pormenor revela a fragilidade metodológica do estudo e a parcialidade da cobertura. Num trabalho que se pretende rigoroso sobre concorrência e custos marítimos, o único operador privado auscultado foi precisamente o grupo detentor do monopólio do transporte de mercadorias para a Região, e que é, simultaneamente, o proprietário do próprio Diário de Notícias. Todos os outros potenciais concorrentes internacionais simplesmente "não responderam" ou "não foi possível o contacto".
Apesar desta falha gravíssima, o jornal não questiona a validade do estudo, pelo contrário, pega no documento e transforma-o na sua verdade absoluta. Também não lhe importa destacar do mesmo descrédito de que enferma.
O "Editorial-Sentença" e a ilusão de pluralismo vem em seguida. A opinião do diretor, Ricardo Miguel Oliveira, sob o título «A utopia tem um preço», encarrega-se de ditar a sentença política. O texto desvaloriza anos de debate sobre o ferry, classificando-o como uma "sucessão de versões confortáveis" e concluindo que "o ferry não é a solução que falta no mercado, é a despesa que importa decidir antes de assumir". Ninguém vista toda a Europa para ver a enormidade das afirmações fixas ao senhor Sousa?
Para conferir uma patina de "isenção" e pluralismo, o jornal abre a página 28 (seção Observatório) a três convidados: um deputado do PS (Carlos Pereira), um da Iniciativa Liberal (Gonçalo Maia Camelo) e o presidente da Ordem dos Economistas regional (Paulo Pereira). É o clássico expediente de incluir vozes divergentes, estrategicamente enquadradas por perguntas induzidas ("Quais os maiores riscos para a sustentabilidade?"), garantindo que as individualidades locais continuem a responder à chamada do jornal, alimentando a sua própria vaidade de figurar nas páginas do matutino, enquanto ajudam involuntariamente a legitimar a moldura (the framing) traçada pelo grupo proprietário. Quantos deles sabem que estão numa emboscada que é o conjunto da edição do DN Madeira ou da pergunta inquinada para condicionar?
Tal como as tradicionais fotografias de campanha, em que o candidato encosta para a foto e todos passam automaticamente a figurantes do enredo, o sistema político e social madeirense continua a cair no mesmo abraço do urso, participa docilmente no ecossistema mediático que, no dia em que os interesses do poder económico assim o exigirem, não hesitará em descartar qualquer um em nome de um "valor maior", a manutenção das suas rendas e monopólios.
O ferry é rentável até mesmo com concorrência, há soluções já experimentadas que condicionaram, limitaram e expulsaram. Tudo começou com o interesse de um privado e agora estamos nesta conversa parva. Entretanto o senhor Sousa comprou mais 2 transitário e a autoridade da concorrência nada vê, até parece as "autoridades" do estudo.





