Quatro décadas depois da primeira edição, o Congresso de Medicina Popular continua a juntar tradição, memória e conhecimento em torno de um dos mais marcantes patrimónios culturais de Barroso.
Vilar de Perdizes voltou a assumir-se como ponto de encontro entre a tradição e o conhecimento com a abertura da 40.ª edição do Congresso de Medicina Popular, uma iniciativa que, quatro décadas depois do seu início, mantém viva a ligação da comunidade aos saberes, práticas e crenças transmitidos ao longo de gerações.
A sessão de abertura reuniu participantes, especialistas, investigadores e população, num momento marcado pela reflexão sobre a medicina popular enquanto expressão de uma cultura ancestral e pelo reconhecimento do percurso de uma iniciativa que se tornou indissociável da identidade de Vilar de Perdizes e do território de Barroso.
No centro das atenções esteve inevitavelmente a memória do Padre Fontes, fundador e grande impulsionador do congresso. Foi a sua visão que, há 40 anos, transformou os saberes populares num espaço de encontro, estudo e divulgação, contribuindo decisivamente para retirar estas práticas do esquecimento e projetá-las para além das fronteiras da própria aldeia.
A presidente da Câmara Municipal de Montalegre, Fátima Fernandes, destacou precisamente essa dimensão cultural, considerando o congresso uma verdadeira “afirmação de uma cultura ancestral” e um espaço privilegiado para aproximar o conhecimento empírico das populações da investigação científica.
Durante séculos, explicou a autarca, as comunidades do interior construíram uma relação profunda com a natureza, recorrendo a plantas e outros recursos naturais para responder às necessidades do quotidiano e tratar doenças. Esse conhecimento, transmitido de geração em geração, constitui hoje um património que, defende, deve ser preservado, estudado e confrontado com o conhecimento científico contemporâneo.
A reflexão estende-se também aos rituais, crenças e formas de relacionamento com a natureza que integram este universo cultural, numa perspetiva que procura compreender o seu significado e identificar eventuais contributos para os desafios da sociedade atual.
QUATRO DÉCADAS DE UMA INICIATIVA QUE RESISTE AO TEMPO
A forte adesão registada na sessão inaugural foi apontada como um sinal da vitalidade de um congresso que continua a despertar interesse e a mobilizar diferentes gerações.
Ao longo do fim de semana, Vilar de Perdizes será novamente palco de momentos de debate, partilha de experiências e cruzamento de perspetivas, mantendo uma fórmula que se tornou parte da identidade cultural da localidade: colocar frente a frente o saber que nasce da experiência e o conhecimento que resulta da investigação.
Fátima Fernandes destacou ainda o papel da população de Vilar de Perdizes e da associação responsável pela continuidade do congresso, considerando fundamental o envolvimento da comunidade na preservação desta tradição.
Mas o momento de maior carga simbólica acabou por ser a homenagem ao homem que esteve na origem de tudo.
A presidente da autarquia deixou “um agradecimento maior ao Padre Fontes”, descrevendo-o como “uma força da natureza” e um exemplo de resiliência, paixão e determinação.
Quarenta anos depois, o congresso que nasceu da sua vontade continua a acontecer em Vilar de Perdizes. E, ao fazê-lo, mantém aberta uma ponte entre a memória de um povo, os saberes ancestrais e a procura permanente de novas formas de compreender o mundo.
Jornalista: Paulo Silva Reis
Fotos: DR
Quatro décadas depois da primeira edição, o Congresso de Medicina Popular continua a juntar tradição, memória e conhecimento em torno de um dos mais marcantes patrimónios culturais de Barroso.
Vilar de Perdizes voltou a assumir-se como ponto de encontro entre a tradição e o conhecimento com a abertura da 40.ª edição do Congresso de Medicina Popular, uma iniciativa que, quatro décadas depois do seu início, mantém viva a ligação da comunidade aos saberes, práticas e crenças transmitidos ao longo de gerações.
A sessão de abertura reuniu participantes, especialistas, investigadores e população, num momento marcado pela reflexão sobre a medicina popular enquanto expressão de uma cultura ancestral e pelo reconhecimento do percurso de uma iniciativa que se tornou indissociável da identidade de Vilar de Perdizes e do território de Barroso.
No centro das atenções esteve inevitavelmente a memória do Padre Fontes, fundador e grande impulsionador do congresso. Foi a sua visão que, há 40 anos, transformou os saberes populares num espaço de encontro, estudo e divulgação, contribuindo decisivamente para retirar estas práticas do esquecimento e projetá-las para além das fronteiras da própria aldeia.
A presidente da Câmara Municipal de Montalegre, Fátima Fernandes, destacou precisamente essa dimensão cultural, considerando o congresso uma verdadeira “afirmação de uma cultura ancestral” e um espaço privilegiado para aproximar o conhecimento empírico das populações da investigação científica.
Durante séculos, explicou a autarca, as comunidades do interior construíram uma relação profunda com a natureza, recorrendo a plantas e outros recursos naturais para responder às necessidades do quotidiano e tratar doenças. Esse conhecimento, transmitido de geração em geração, constitui hoje um património que, defende, deve ser preservado, estudado e confrontado com o conhecimento científico contemporâneo.
A reflexão estende-se também aos rituais, crenças e formas de relacionamento com a natureza que integram este universo cultural, numa perspetiva que procura compreender o seu significado e identificar eventuais contributos para os desafios da sociedade atual.
QUATRO DÉCADAS DE UMA INICIATIVA QUE RESISTE AO TEMPO
A forte adesão registada na sessão inaugural foi apontada como um sinal da vitalidade de um congresso que continua a despertar interesse e a mobilizar diferentes gerações.
Ao longo do fim de semana, Vilar de Perdizes será novamente palco de momentos de debate, partilha de experiências e cruzamento de perspetivas, mantendo uma fórmula que se tornou parte da identidade cultural da localidade: colocar frente a frente o saber que nasce da experiência e o conhecimento que resulta da investigação.
Fátima Fernandes destacou ainda o papel da população de Vilar de Perdizes e da associação responsável pela continuidade do congresso, considerando fundamental o envolvimento da comunidade na preservação desta tradição.
Mas o momento de maior carga simbólica acabou por ser a homenagem ao homem que esteve na origem de tudo.
A presidente da autarquia deixou “um agradecimento maior ao Padre Fontes”, descrevendo-o como “uma força da natureza” e um exemplo de resiliência, paixão e determinação.
Quarenta anos depois, o congresso que nasceu da sua vontade continua a acontecer em Vilar de Perdizes. E, ao fazê-lo, mantém aberta uma ponte entre a memória de um povo, os saberes ancestrais e a procura permanente de novas formas de compreender o mundo.
Jornalista: Paulo Silva Reis
Fotos: DR




