O arcebispo de Évora, D. Francisco Senra Coelho, alertou contra a instalação de uma "cultura de descarte, de alheamento e de indiferença" na sociedade contemporânea, durante a sessão de abertura da semana de formação da Cáritas Portuguesa, que decorreu na cidade alentejana a 15 de setembro de 2026. O responsável católico intervenha perante cerca de 180 participantes, reunidos até sexta-feira para debater o impacto da cooperação institucional no apoio às populações vulneráveis.
O prelado salientou que a Cáritas deve assumir um "sentido sinodal" de ação, rejeitando a tentação de os cidadãos transferirem todas as responsabilidades sociais para o Estado. D. Francisco Senra Coelho elogiou o trabalho de "proximidade" da instituição, que se torna "vizinha e conhece a pessoa no seu concreto", e pediu a transmissão desses valores solidários às novas gerações.
A presidente da Cáritas Portuguesa, Rita Valadas, sublinhou que a instituição constrói as suas respostas a partir das "fragilidades de cada território", garantindo que existe sempre uma Cáritas perto das maiores vulnerabilidades do país. O responsável pela Cáritas Arquidiocesana de Évora, Bernardino Melgão, pediu aos participantes que evitem o caminho da inação, salientando que "a indiferença também escolhe" quem é deixado para trás.
O programa da edição deste ano, com o tema "Uma rede sinodal que transforma", inclui diversas oficinas práticas nas áreas de inteligência artificial, comunicação compassiva, migrações e inovação social. A vereadora da autarquia local, Carmen Carvalheira, destacou a urgência de uma articulação institucional contínua para assegurar a eficácia dos auxílios. A Cáritas Portuguesa funciona como organismo tutelado pela Conferência Episcopal Portuguesa.




