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Tribunal da União Europeia decidiu: estes trabalhadores foram despedidos em 1993 e têm direito a indemnização 33 anos depoisFoto de lecreusois no Pexels
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Tribunal da União Europeia decidiu: estes trabalhadores foram despedidos em 1993 e têm direito a indemnização 33 anos depois

Postal do Algarve15 de setembro de 2026 às 16:10

Trabalhadores da Air Atlantis foram despedidos em 30 de abril de 1993 e continuam a lutar nos tribunais mais de três décadas depois. O Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) proferiu um acórdão em 8 de setembro que reforça a possibilidade de antigos trabalhadores receberem indemnização do Estado português por erros judiciais. No dia seguinte ao despedimento coletivo, a TAP começou a assegurar parte dos voos da Air Atlantis, utilizando quatro dos oito aviões da empresa dissolvida, informação que os trabalhadores desconheciam quando aceitaram a compensação.

Os antigos funcionários contestaram o despedimento e pediram integração na TAP, que era a principal acionista da Air Atlantis. Em 2007, o Tribunal do Trabalho de Lisboa condenou a TAP a reintegrá-los e a indemnizá-los, mas em 2008 a Relação de Lisboa alterou essa sentença. Em 2009, o Supremo Tribunal de Justiça rejeitou o recurso dos trabalhadores sem consultar o TJUE sobre a interpretação das regras europeias, tendo os funcionários avançado depois com uma ação contra o Estado pelos prejuízos decorrentes daquela decisão.

O TJUE já tinha concluído em 2015 que existia uma transferência de empresa e que o Supremo deveria ter solicitado esclarecimentos ao tribunal europeu. No novo acórdão, o TJUE identifica erros na interpretação das regras europeias e considera que a ausência de consulta ao tribunal europeu constitui uma violação suficientemente grave para poder responsabilizar o Estado, embora essa verificação caiba agora à Justiça portuguesa.

O acórdão europeu esclarece ainda que receber a compensação legal por despedimento coletivo não pode retirar ao trabalhador, numa transferência de estabelecimento abrangida pelas diretivas europeias, o direito de contestar o despedimento e reclamar a proteção conferida por essas regras. O tribunal português terá agora de verificar a gravidade da violação e a ligação direta entre essa violação e os prejuízos reclamados, sem que o acórdão europeu fixe valores ou estabeleça uma data para eventual pagamento.

Porque é que isto importa

Os leitores em Portugal são diretamente afetados porque esta decisão abre caminho para que antigos trabalhadores da Air Atlantis, despedidos há mais de três décadas, possam finalmente receber indemnização do Estado por erros do Supremo Tribunal de Justiça. Embora a decisão europeia não fixe valores, estabelece que o Estado pode ser responsabilizado, e agora os tribunais portugueses terão de avaliar os prejuízos concretos, potencialmente criando jurisprudência relevante para casos semelhantes de transferência de empresa e direitos laborais.

Sobre este resumo

Este é o nosso resumo de um artigo publicado por Postal do Algarve a 15 de setembro de 2026 às 16:10; o texto completo fica com o editor original. Na nossa lista está na secção Negócios. Nesta secção temos atualmente 23293 artigos.

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