A 6ª edição do relatório Estado das Aves do Mundo, divulgado pela BirdLife International a 11 de setembro na Global Flyways Summit em Nairobi, revela que uma em cada nove espécies de aves migradoras está ameaçada de extinção. Sete espécies foram confirmadas ou suspeita-se que se tenham extinguido nos últimos 150 anos, incluindo o maçarico-de-bico-fino, cuja extinção foi anunciada em 2025 como a primeira extinção mundial de uma ave na Eurásia e África em séculos recentes. Das 1843 espécies migradoras do mundo, 45% estão em declínio, 30% estáveis, 14% em aumento e 11% desconhecidas.
Os declínios são particularmente acentuados em algumas rotas migratórias. A rota da Ásia-Australásia regista 53% das espécies em declínio, enquanto a rota africano-euroasiática, que passa por Portugal, apresenta 41% de declínios. As aves marinhas e as aves costeiras são as mais afetadas, com 49% e 54% em declínio, respectivamente. Desde 1988, 102 espécies migradoras foram classificadas com maior estatuto de ameaça na Lista Vermelha da UICN.
As causas do declínio são bem conhecidas e incluem espécies exóticas invasoras, doenças, expansão e intensificação agrícola, alterações climáticas, caça e captura ilegal e poluição. Muitas espécies enfrentam múltiplas ameaças que causam acumulação de impactos e elevada mortalidade durante as migrações. No entanto, os especialistas salientam que as soluções de conservação também são conhecidas e que programas em todo o mundo provam ser possível restaurar habitats e ajudar populações a recuperar. Atualmente, 120 organizações parceiras da BirdLife International trabalham para conservar as aves migradoras.
Perante esta situação, os governos, cientistas, organizações de ambiente e instituições financeiras reunidos na cimeira de Nairobi assinaram a Declaração de Nairobi para as Rotas Migratórias, comprometendo-se a proteger aves e habitats ao longo de todo o trajeto da migração. A SPEA-BirdLife sublinhou que Portugal desempenha um papel crucial nas rotas migratórias entre a Europa e África, e que proteger zonas húmidas, áreas costeiras e habitats agrícolas é essencial para as aves que aqui nidificam, passam o inverno ou utilizam como escala.



