O economista Luís Aguiar-Conraria, consultor económico do Presidente da República, aconselhou esta terça-feira a Iniciativa Liberal a procurar pontos de convergência com António José Seguro, considerando que os liberais, por serem um partido pequeno, precisam de aliados. Num debate sobre reforma fiscal no segundo dia das jornadas parlamentares da IL, no Porto, Aguiar-Conraria considerou que o partido pode ter um apoio presidencial às suas propostas destinadas a favorecer o crescimento e a concentração de empresas, salientando que promover a concentração de empresas fez parte da plataforma de Seguro durante a campanha presidencial.
O economista refutou a ideia de que a fiscalidade portuguesa seja particularmente elevada, sustentando que está abaixo da média da OCDE. Afirmou que o grande defeito do sistema fiscal português é ser estupidamente complexo, considerando necessário eliminar taxas e taxinhas, reduzir a progressividade dos impostos e defendendo que os impostos sobre os lucros prejudicam o crescimento económico. Alertou, contudo, para a dificuldade política de concretizar estas alterações devido ao que considerou serem populismos fáceis à esquerda e também à direita, com o Chega.
Aguiar-Conraria criticou também a proposta do Chega de reduzir o IVA dos combustíveis, considerando que seria mais uma parvoíce porque criaria mais uma taxa diferenciada de IVA. Sublinhou que se o nível de impostos sobre a gasolina é elevado, deve baixar-se o ISP, que é o imposto específico sobre combustíveis, e não o IVA.
O economista Pedro Brinca focou-se na eficiência do Estado, afirmando estar convencido de que era possível fazer o dobro com metade na função pública. Defendeu o fim da derrama estadual por penalizar o crescimento das empresas e criticou o IVA zero no cabaz alimentar, alertando que a descida no imposto poderia ser incorporada pela distribuição e não se refletir no preço final, acabando por ajudar empresas que não precisam. Brinca mencionou ainda ter sido recentemente convidado pelo primeiro-ministro para um pequeno-almoço com economistas, que classificou como a coisa mais deprimente da sua vida.




