Os títulos do Tesouro dos EUA a dez anos ultrapassaram a barreira dos 5%, atingindo 5,029% na terça-feira, o valor mais alto desde 2007. A subida de cerca de 7 pontos base ocorre na antecâmara da reunião da Reserva Federal de setembro, com os mercados a anteciparem uma nova subida de 25 pontos base nas taxas diretoras, que ficariam assim entre 3,75% e 4%. A Barclays refere que 5% de yield representa um "ponto de inflexão historicamente importante a partir do qual as taxas se tornam uma adversidade mais persistente para as ações".
Esta tendência de subida nas yields tem afetado também outros mercados obrigacionistas ocidentais. No Japão, os títulos a 10 anos ultrapassaram os 3%, na mesma semana em que o Banco do Japão deverá aumentar as taxas diretoras em 25 pontos base para 1,25%, o nível mais alto em 31 anos. Na Alemanha, a yield a 10 anos chegou a 3,55%, um máximo desde 2009, enquanto os índices bolsistas europeus negociavam em terreno negativo.
A expectativa de subida dos juros na maior economia mundial coincide com a primeira reunião do mandato de Kevin Warsh na Fed, que afirmou não pretender dar tréguas à inflação, que se mantém muito acima do objetivo de médio-prazo. Segundo a FedWatch Tool da CME Group, o mercado atribui 92,5% de probabilidade a uma nova subida de 25 pontos base esta quarta-feira.
A tensão nos mercados é agravada pela situação no Médio Oriente, onde os ataques dos Houthis à infraestrutura petrolífera saudita estão a impulsionar o preço do petróleo, com o barril de brent a atingir os 107 dólares. Esta valorização reforça os receios de uma nova onda inflacionista na economia global, num contexto em que o setor tecnológico, particularmente o da inteligência artificial, também foi penalizado por notícias de um possível abrandamento da atividade.




