O primeiro vereador socialista na Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Costa, dirigiu uma carta aberta ao presidente da autarquia, Ricardo Araújo, a propósito de uma reunião recente com o embaixador de Israel em Portugal, Oren Rozenblat. A carta foi também assinada pelos vereadores Sérgio Silva, Gabriela Nunes e Flávio Freitas, todos do Partido Socialista.
Na carta, o PS esclarece que não se opõe à cooperação internacional, inovação, ciência ou investimento estrangeiro. Contudo, questiona o aprofundamento das relações institucionais entre o Município de Guimarães e representantes de Israel num momento marcado pela situação em Gaza e por acusações de violações do Direito Internacional Humanitário e dos Direitos Humanos. Ricardo Costa criticou particularmente o comunicado oficial após o encontro, que apontou para o desenvolvimento de relações em áreas como tecnologia, inteligência artificial, proteção civil, indústria avançada e setor espacial, sem qualquer referência aos direitos humanos ou à dimensão humanitária do conflito.
O líder da oposição socialista distingue entre o investimento de empresas israelitas em Guimarães, que deve ser avaliado pelos seus méritos económicos, e o Município estabelecer relações institucionais com representantes de um Estado. Os socialists questionam que compromissos concretos foram assumidos na reunião, se está prevista cooperação com entidades estatais israelitas, que protocolos estão a ser preparados e que recursos públicos municipais poderão estar envolvidos.
O PS defende que Guimarães deve continuar a relacionar-se com o mundo, mas considera que essa abertura deve ser acompanhada pela defesa de valores. A carta conclui questionando que tipo de cidade Guimarães quer projetar no mundo: uma que apenas procura oportunidades económicas, ou uma que também defende princípios. Os socialists pedem esclarecimentos sobre a posição do Município relativamente ao respeito pelos direitos humanos e pelo direito internacional nas relações institucionais que estabelece.




