Quando Ursula von der Leyen chegou à presidência da Comissão Europeia em 2019, a prioridade era tornar a União Europeia mais verde. Sete anos volvidos, que incluíram uma pandemia global, um conflito às portas da Europa e uma nova guerra comercial, a principal preocupação passou a ser como impedir a economia europeia de ficar para trás. O seu segundo mandato, provavelmente o último, termina em 2029.
O diagnóstico foi traçado nos relatórios independentes encomendados pela Comissão a dois antigos primeiros-ministros italianos, Enrico Letta e Mario Draghi. Concluiu-se que a produtividade está estagnada, o mercado interno continua fragmentado, há um défice de investimento e as empresas europeias têm dificuldade em ganhar escala. A estimativa de Draghi é de que a UE precisa de mobilizar mais 800 mil milhões de euros de investimento por ano para inverter esta trajetória. Apenas 15,7% das 383 recomendações de Draghi estavam totalmente implementadas em meados deste ano.
A segunda Comissão de von der Leyen transformou os relatórios nos principais guias da nova agenda de Bruxelas, apresentando estratégias em áreas que vão da competitividade, indústria limpa e inteligência artificial à defesa e segurança económica. Os sete desafios principais identificados são: competitividade, política industrial, fragmentação dos mercados de capitais, energia, dependência da China, defesa e inteligência artificial.
A líder do Executivo comunitário transformou Bruxelas num ator económico mais intervencionista, mas permanece a dúvida sobre se a ambição europeia está a ser acompanhada pela capacidade de executar. As negociações sobre o próximo Quadro Financeiro Plurianual, para 2028-2034, decorrem em paralelo com as eleições em França, Itália, Espanha e Polónia, o que poderá dificultar ainda mais os compromissos sobre a dimensão e distribuição dos recursos europeus.




