José Sócrates manifestou esta terça-feira, à entrada do tribunal, que não confia no advogado oficioso Luís Carlos Esteves, que foi nomeado para o defender no processo da Operação Marquês. O antigo primeiro-ministro criticou também a juíza Susana Seca pela posição que tomou, depois de esta ter rejeitado o requerimento de Sócrates que visava a retirada de todos os atos praticados pelo defensor oficioso. Segundo Sócrates, o advogado aceitou ficar sem preparação da defesa, não leu o processo e não fez as perguntas que deveria fazer.
O julgamento da Operação Marquês decorre com José Sócrates pronunciado por 22 crimes, incluindo três de corrupção, por ter alegadamente recebido dinheiro através de testas-de-ferro para beneficiar o grupo Lena, o Grupo Espírito Santo e o empreendimento Vale do Lobo, no Algarve. Carlos Santos Silva, amigo e empresário de referência do ex-primeiro ministro, está também em julgamento, acusado de 23 crimes.
O processo conta com 21 arguidos que respondem globalmente por 117 crimes económico-financeiros. Entre os arguidos encontram-se ainda Joaquim Barroca, ex-administrador da construtora do Grupo Lena, José Pinto de Sousa, primo de Sócrates, Hélder Bataglia, Sofia Fava, ex-mulher de Sócrates, Zeinal Bava, Henrique Granadeiro e Ricardo Salgado.
O Ministério Público reclama aos arguidos um total de 58 milhões de euros, tendo já arrestado vários bens. Segundo a acusação, Sócrates terá causado cerca de 21 milhões de euros de prejuízo ao Estado, Zeinal Bava cerca de 16 milhões, Henrique Granadeiro cerca de 14 milhões, Carlos Santos Silva três milhões e 300 mil euros, Ricardo Salgado três milhões de euros e Armando Vara 1,4 milhões de euros.




