A indústria portuguesa de calçado conclui este ano o maior ciclo de investimento de sempre, com um total de 100 milhões de euros aplicados em sustentabilidade, digitalização, inteligência artificial e novas tecnologias. O investimento, descrito pela Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado (APICCAPS) como um esforço sem precedentes, visa preparar o setor para uma nova realidade competitiva internacional e reforçar a confiança no futuro da indústria.
Os investimentos foram mobilizados através de dois projetos principais: o BioShoes4All e o FAIST – Fábrica Ágil, Inteligente, Sustentável e Tecnológica. O BioShoes4All, que decorreu ao longo de quatro anos e envolveu 69 entidades portuguesas, focou-se na transição para a bioeconomia, desenvolvendo 46 novos produtos de calçado e marroquinaria, muitos deles com menor pegada ecológica e carbónica. O projeto criou ainda novos biomateriais a partir de recursos como cascas de pinheiro, folhas de oliveira, borras de café e caroço de azeitona, e alcançou reduções de 20% no consumo de água em determinados processos.
O FAIST, com um investimento de cerca de 50 milhões de euros e mais de 40 empresas envolvidas, apostou na transformação tecnológica do setor, desenvolvendo linhas produtivas automatizadas, novos equipamentos e soluções de software. A inteligência artificial começou também a chegar ao chão de fábrica, com projetos-piloto que apontam para ganhos no planeamento, redução de desperdícios e diminuição de erros.
Os resultados destes projetos estão a ser apresentados até quinta-feira em Milão, nas feiras internacionais Lineapelle e Simac. O presidente da APICCAPS, Luís Onofre, considera que as empresas portuguesas "não ficaram à espera" e que o volume de investimento representa uma prova de confiança no futuro, combinando o talento e qualidade tradicionalmente associados ao calçado português com uma nova geração de tecnologias para construir uma vantagem competitiva difícil de replicar.




